Antes da sua morte, em Julho de 2007, Ingmar Bergman concedeu à Taschen e à Max Ström acesso completo aos seus arquivos na Fundação Bergman. Agora, ambas as editoras prestam homenagem a uma carreira de 60 anos e lançam os arquivos daquele que é, para muitos, um dos melhores realizadores de sempre.
Esta obra, que está à venda no site da Taschen por 150 euros, contém textos de Bergman e entrevistas, muitas das quais nunca antes vistas fora da Suécia, bem como imagens exclusivas dos seus filmes. O livro de 592 páginas contará com uma retrospectiva da sua carreira não só no cinema, mas também no teatro, onde foi responsável por mais de 170 peças. Como bónus desta edição estará ainda um DVD com quase duas horas de documentários raros.
A partir de 1957, com "O Sétimo Selo" e "Morangos Silvestres", Ingmar Bergman tornou-se uma figura de proa do cinema internacional. Com mais de meia centena de filmes realizados, o trabalho de Bergman sempre foi muito bem recebidos pelos seus pares e pelos críticos.
“Bergman pertencia a nós todos. Ele era o nosso homem-túnel, construindo aquedutos para o nosso colectivo cinematográfico inconsciente. Dava água a pessoas que não sabiam que tinham sede”, afirmou o realizador Todd Field a quando da sua morte. Influenciado pela sua obra, Woody Allen disse que Bergman era “provavelmente o maior artista do cinema, desde a invenção da câmara de filmar.”
Nos seus filmes, Ingmar Bergman trata de dor, desejo, religião e amor. Um mundo onde “a fé é ténue; a comunicação, elusiva; e o conhecimento próprio, na melhor das hipóteses, uma ilusão”, afirmava Michiko Kakutani em 1983 num perfil sobre o realizador publicado na revista do “New York Times”. Ao lado podemos ver uma cena do filme Persona (1966), um arrojado ensaio sobre identidade (vídeo).
Num excerto dos arquivos já disponibilizado online pela Taschen, podemos ler o que era, em parte, o cinema para Bergman: “A realização é o que me interessa. Eu quero fazer filmes sobre condições, tensões, imagens, ritmos e personagens dentro de mim que, de uma forma ou de outra, me interessam. O cinema e o seu complicado processo de nascimento são os meus métodos de dizer o que quero às outras pessoas.”
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