Promoção da leitura em Gaza vence prémio sueco

24.03.2009 - 18:07 Por Agências

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A escritora Astrid Lindgren, que dá nome ao prémio, criou a personagem Pipi das Meias Altas A escritora Astrid Lindgren, que dá nome ao prémio, criou a personagem Pipi das Meias Altas (Anders Wiklund/REUTERS)
O Instituto Tamer para a Educação Comunitária recebeu hoje o prémio Astrid Lindgren pelo seu trabalho de promoção da leitura na Cisjordânia e Faixa de Gaza, anunciou a fundação do prémio sueco, criado em homenagem à autora de literatura para a infância e juventude, que criou a Pipi das Meias Altas. O valor é de 445 mil euros, divulga a AFP.

A organização não-governamental, sem fins lucrativos, e com propósitos educativos e de promoção da leitura, surgiu em 1989, em Ramallah, para responder às necessidades culturais da comunidade palestiniana.

“Com perseverança, coragem e imaginação, o Instituto Tamer estimula, há 20 anos, o gosto pela leitura e a criatividade junto dos jovens palestinianos”, foram as declarações dos elementos do júri publicadas em comunicado. O júri sublinhou ainda que a instituição trabalha em “condições difíceis” e dinamiza “acções de grande diversidade”, para concluir: “Tal como Astrid Lindgren, [o Instituto Tamer] considera que o poder das palavras, a força dos livros, da leitura e da imaginação são chaves essenciais para o gosto pela vida, o amor próprio e a tolerância”, ainda de acordo com a AFP.

Entre as várias actividades do Instituto Tamer, o sítio da Internet 100 Babords destacava há pouco tempo a criação de bibliotecas em campos de refugiados e de centros de recolha de textos de literatura infantil, as oficinas de escrita, as edições de várias colecções de obras para crianças e adolescentes e a tradução (para árabe) de livros estrangeiros. Também a edição de uma página cultural no jornal "Al-Ayyat" e de um suplemento mensal, assim como a realização da semana da leitura e "ateliers" de actividades artísticas são algumas das iniciativas da instituição. ´

Conclui o site que, mesmo em condições particularmente difíceis, o Instituto Tamer consegue inovar na prática pedagógica e “manter um clima de liberdade de expressão e de responsabilidade”.

O prémio Astrid Lindgren foi criado pelo Governo sueco um ano depois da morte da escritora (em 2002), autora de inúmeras obras para as crianças, traduzidas em todo o mundo, caso da célebre personagem Pipi das Meias Altas. Destina-se a escritores, ilustradores ou instituições que promovam a leitura. A primeira edição foi atribuída à escritora austríaca Christine Noestlinger e à autora e ilustradora americana Maurice Sendak. O ano passado foi a autora australiana Sonya Hatnett a vencedora. A língua portuguesa já obteve este prémio, em 2004, através da brasileira Lygia Bojunga.

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