A decisão de privatizar a Tobis, anunciada na quinta-feira, preocupa os trabalhadores da empresa de produção de cinema por temerem que uma reestruturação desvirtue o serviço que é actualmente prestado. O Estado, o maior accionista da empresa, vai alienar a sua participação social (96,4 por cento).
“Estamos bastante preocupados e não podemos fazer nada. Queremos que a Tobis continue a prestar os mesmos serviços, mas não temos ilusões com a uma possível reestruturação”, disse hoje à Lusa o editor de som Hugo Leitão, representante dos trabalhadores da Tobis.
Para segunda feira, às 10h, está marcada uma assembleia geral na qual os accionistas - o ICA em nome do Estado e vários investidores particulares - deverão decidir o futuro da empresa.
Actualmente a Tobis tem 66 trabalhadores, dos quais um terço tem mais de 20 anos de ligação contratual, e Hugo Leitão teme que possa haver cortes de pessoal.
“Se há problemas com o volume de trabalho, é óbvio que as pessoas estão paradas, mas tudo seria diferente se a própria administração tivesse tido uma postura diferente”, referiu.
Apesar da situação ser “difícil, preocupante e complicada”, José Pedro Ribeiro considerou ontem que a Tobis “tem viabilidade”.
“É uma empresa que tem património que lhe permite reestruturar-se e encontrar o seu lugar no mercado. Tenho recebido vários contactos no sentido de que estarão potencialmente interessados em adquirir a participação. Conheço o mercado e reconheço que há potencialidades”, disse.



