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Porto

Primeira edição da “Peregrinação” vendida em leilão por 15 mil euros

22.05.2010 - 08:46 Por Luís Miguel Queirós

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A obra, impressa por Pedro Craesbeeck em 1614, provocou uma disputa renhida na sessão de ontem à noite A obra, impressa por Pedro Craesbeeck em 1614, provocou uma disputa renhida na sessão de ontem à noite (Nelson Garrido)
Um exemplar da primeira edição da “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto foi vendido por 15 mil euros no leilão da biblioteca de Laureano Barros (1921-2008), que a Livraria Manuel Ferreira está a promover no Porto.

A obra, impressa por Pedro Craesbeeck em 1614, provocou uma disputa renhida na sessão de ontem à noite – o preço base era de 10 mil euros –, mas o valor atingido acabou por se revelar um pouco decepcionante, mesmo tendo em conta que o exemplar em leilão tinha algumas pequenas imperfeições e restauros.

Ainda assim, foi a peça mais cara até agora vendida neste gigantesco leilão da biblioteca do matemático e bibliófilo Laureano Barros, que se iniciou em 2009 e cuja terceira e última parte terminará no próximo dia 29. No total, são mais de seis mil lotes, desde obras que valem sobretudo pelo conteúdo – Laureano Barros foi um grande leitor e mantinha relações de amizade com muitos dos mais importantes escritores portugueses da sua geração – até absolutas raridades que, em alguns casos, podem não aparecer no mercado durante décadas.

Uma delas, a primeira edição dos “Sonetos” de Antero de Quental, foi licitada na sessão de ontem e atingiu 9.400 euros, tendo acabado por propiciar o momento mais emocionante da noite, já que partira de um preço relativamente modesto: dois mil euros. Laureano Barros costumava fazer anotações a lápis nas suas peças mais estimadas. Nesta, além de realçar o facto de o exemplar ter uma dedicatória de Antero a uma parente do seu malogrado amigo Germano Meireles – que morreu muito novo, deixando duas filhas que o poeta adoptou –, o coleccionador escreveu: “A única referência de venda que conheço é de há mais de 40 anos! No leilão de V. Avilla Perez [em 1940] este (precisamente este mesmo) exemplar foi vendido por 500 escudos mais alcavalas”.

Outras edições que ontem atingiram cotações elevadas foram a segunda edição da “Peregrinação” – o bibliófilo conseguira reunir as dez primeiras edições da obra –, comprada por 4 mil euros, e um exemplar da edição original de “O Crime do Padre Amaro”, de Eça de Queirós, muitíssimo valorizada, em termos comerciais, por manter as capas de brochura.

Na primeira sessão desta útima parte do leilão, que decorreu na quinta-feira, a estrela tinha sido Fernando Pessoa. Os livros de poesia inglesa que publicou em vida – “35 Sonnets” (1918), “Antinous” (1918) e “English Poems” (dois opúsculos editados em 1921) – renderam, respectivamente, 1.900, 2.200 e 2.400 euros. Uma primeira edição da “Mensagem” chegou aos 2.300, o “Ultimatum” de Álvaro de Campos foi comprado por dois mil euros, o panfleto “Aviso por Causa da Moral”, assinado pelo mesmo heterónimo, atingiu 1. 800, e a raríssima folha volante “Sobre Um Manifesto de Estudantes”, com a qual Pessoa saiu em defesa de Raul Leal, foi arrematada por 2.200 euros.

A estimativa de Herculano Ferreira, da Livraria Manuel Ferreira, é a de que, no total de todas as sessões, este leilão possa “chegar ao meio milhão de euros”.

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Bolas!

Que chatice, não cheguei a tempo!

Viper

23.05.2010 15:06

X

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