O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) aplaudiu hoje a atribuição do Prémio Camões a João Ubaldo Ribeiro, mas estranhou a decisão do júri de só ponderar nomes de escritores brasileiros.
Em relação ao escritor brasileiro, José Jorge Letria sublinha a capacidade de “combinar a inovação no processo narrativo com um olhar muito interventivo e atento da realidade contemporânea”.
Para o vice-presidente da SPA, Ubaldo Ribeiro “representa a verdadeira ponte cultural entre duas realidades transatlânticas”, sublinhando que a atribuição do prémio foi “justa” e que Ubaldo Ribeiro “há muito a merecia”.
Letria considerou ainda que a distinção veio “num bom momento”, uma vez que Portugal assumiu sexta-feira a presidência da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Quanto à decisão do júri de só analisar no concurso deste ano escritores brasileiros, o representante pediu que sejam reveladas as razões para este “regime de excepção”. “Se não forem apresentadas razões parece-me injustificável. Em abstracto não me parece haver justificação”, comentou.
João Ubaldo Ribeiro é o oitavo escritor brasileiro a ser distinguido com este prémio, que na sua edição anterior foi atribuído ao português António Lobo Antunes.
Instituído pelos governos português e brasileiro em 1988, o Prémio Camões distingue anualmente um autor que no conjunto da sua obra tenha contribuído para enriquecer o património cultural e literário da língua portuguesa.


