Post sobre Saramago de Luzia Cordeiro, aluna do 12º ano, no blogue "Nota Final 2010"

19.06.2010 - 18:22

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Hoje faleceu José Saramago. Finalmente um motivo suficientemente impulsionador para iniciar a minha participação neste blogue! A notícia foi-me dada quando estava com o nariz enfiado no livro de matemática. Ao início não acreditei que um acontecimento histórico, a morte de um escritor que ganhou o prémio Nobel, estivesse realmente a acontecer. Já que para mim, não acontecia nada de interessante em termos sociais há muito tempo.

Desde logo, um pensamento me ocorreu: O nosso ano, dos que nasceram em 1992 e fizeram exame em 2010, foi o último a estudar o Memorial [do Convento] com o escritor em vida. Essa perspectiva encheu-me de um engraçado orgulho injustificado (porque não tenho razões para me orgulhar, foi um mero acaso). Mas não podia deixar de sentir uma certa honra. Pudemos discutir em tempo real as controvérsias do seu texto, e tudo o que significou para nós, como portugueses!

Hoje apenas interrompi o meu estudo e as minhas pausas para alimentação com a memória deste homem. Deliciei-me a ver na SIC Notícias a repetição do seu debate com um padre, que de momento não me recordo do nome, peço desculpa pelo lapso. O debate era sobre o livro Caim. E descobri uma coisa, para além de gostar de o ler, gosto de o ouvir. Gosto mesmo. É o timbre ou a forma como o vocabulário se conjuga numa frase perfeita, com significados intrínsecos disfarçados, que dá um gozo especial decifrar ou ter a ilusão de que se decifrou. Acho interessante como o tomam como um ressentido com a igreja, e com uma série de ódios recalcados aos portugueses. Eu digo: "- que tonteira!". Não concordo. Acho que um artista tem liberdade para expressar as suas convicções de forma literária sem ser tomado como "hater". Afinal, é bastante estimulante desvendar todos os significados da ironia e crítica da sua escrita, e com isso analisar e perceber a sua visão de uma sociedade utópica. Opiniões. Faz parte de uma sociedade democrática e civilizada respeitá-las.

Aparte das controvérsias, é importante referir a beleza do seu texto, a maneira como, não sendo de todo o seu objectivo ser belo, se torna belo. A maneira crua e realista como descreve as coisas pode não nos agradar, mas não deixa de nos cativar como algo interessante e digno de análise. De uma grande análise.

Qualquer homem que cria algo deve ser louvado, pelo simples facto de nos dar algo para analisar. E é uma honra para nós (gostava muito que sentissem isto como eu estou a sentir no dia da sua morte) termos sido os últimos a estudar uma das suas maiores obras com o artista em vida.

Obrigada pela sua arte, José Saramago.
(e por alegrar o meu dia de estudo com a sua memória)

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Nobel

É uma opinião, e devo dar os parabéns pela forma como foi exprimida. No entanto ...

mau_feitio

20.06.2010 00:43

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