• A fotografia corpo a corpo
  • Roupa interior para se usar no exterior
  • Navegar num veleiro português com 75 anos

5 de Junho

"Portugallica" no Rock In Rio

06.06.2008 - 04:50 Por Silvia Pereira, PUBLICO.PT

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Metallica: o culto do monstro saiu reforçado Metallica: o culto do monstro saiu reforçado (Silvia Pereira)
Quando os Metallica vêm a Portugal, é sempre isto: entrega da banda e devoção dos fãs, bem misturados em grandiosos momentos de comunhão. Quando os Metallica vão ao Rock In Rio, como aconteceu ontem à noite mais uma vez, tudo isto é elevado ao expoente do imenso do mar de gente que enche o Parque da Bela Vista para os ver. Foram eles os comandantes da noite mais pesada do festival. Por lá passou também a boa forma dos Moonspell, o invulgar metal clássico dos Apocalyptica e a brutalidade seca dos Machine Head.

O Palco Mundo abriu com os Moonspell, que, mais uma vez, não puderam contar com a lua para ajudar ao feitiço. Não que precisassem da ajuda, mas só se pode imaginar o efeito que canções como "Alma mater", "Opium", "Mephisto" ou a recente "Scorpion flower" (do novo "Night Eternal") teriam num ambiente nocturno ao nível da prestação da banda de Fernando Ribeiro. Não se percebe como é que uma banda como esta, com a história e culto que tem – para não falar no estatuto que construiu lá fora, quando ainda não havia prémio MTV que despertasse mais ouvidos portugueses – continua a ser escalada para actuar de dia. Com a dignidade do título de senhores incontestáveis do metal gótico português, sublinharam a honra de tocar no mesmo dia que os Metallica, enquanto se atiravam profundamente ao que melhor sabem fazer, com excelente recepção por parte do público.

Os finlandeses Apocalyptica foram ao Rock In Rio mostrar que não é preciso ter guitarra para fazer bom metal – embora não dispensem a bateria. Do alto das suas cordas e arcos, os violoncelistas deram um dos mais curiosos concertos a que o Rock In Rio já assistiu, deixando toda a gente boquiaberta com o poder que conseguem arrancar aos instrumentos – e estamos a falar da recriação, por exemplo, de solos de músicas dos Metallica.

Os Machine Head encontraram o seu público entre fãs do thrash metal mais demolidor, na linha de uns Slayer (que não hesitaram, aliás, em "apadrinhá-los"). Distribuíram o alinhamento pelos vários álbuns, de "Burn My Eyes" – álbum de estreia que, em 1994, chamou a atenção dos ouvidos metaleiros e os colocou entre as preferências da crítica especializada – ao novo "The Blackening". O concerto foi potente e mostrou uma verdadeira máquina em palco, com um senhor "mosh pit" a condizer. Mas, deslumbrados com a calorosa recepção, os Machine Head agiram como se fossem cabeças de cartaz e acabaram por cair num ritmo demasiado longo e repetitivo para a ansiedade sobre concerto dos Metallica. Sabemos que Machine Head e Metallica andam em digressão juntos, mas a questão persiste: a fluidez do cartaz não ficaria melhor servida se fossem os Moonspell a abrir para Metallica?

Todas as questões, considerações e até actuações se desvaneceram com a entrada em cena dessa espécie de monstro. Com os Metallica nunca há dúvidas, porque eles insistem em reforçar o culto – esse gigantesco culto – com a qualidade de cada minuto de cada concerto. E não, não repetiram a prestação do ano passado no Super Bock Super Rock. Desta vez, o alinhamento foi menos orientado para a memória histórica dos primeiros álbuns, permitindo até a entrada a temas vindos dos tempos menos consensuais de "Load" e "ReLoad". "King nothing" e "Fuel" misturaram-se sem pudor entre temas tão conhecidos como "Enter sandman", "Sad but true", "Nothing else matters" ou "Wherever I may roam" e clássicos como "Creeping death", "Welcome home (sanitarium)", "One", "Harvester of sorrow", "Master of puppets" ou "Seek & destroy". Comparado com o alinhamento da última visita a Portugal, este teve um desenho mais alternativo, como uma declaração de princípios em que uma banda se proclama orgulhosa de tudo – mesmo tudo – o que fez de 1981 até hoje, como alguém que olha para tatuagens para se lembrar de um caminho. Do novo álbum (que descrevem como uma mistura de épicos, canções mais calmas e temas a abrir) só se ouviu o anúncio da edição, prevista para Setembro. Foi o baterista Lars Ulrich quem fez questão de vir à frente do palco, no final, alertar para a novidade. E, perante uma plateia com pernas e pescoços doridos de um concerto intenso como poucos – que, mesmo assim, tinha vontade de mais (falta sempre "aquela" canção…) – prometeu o regresso. Para o ano, e pegando na expressão pintada numa bandeira que os quatro ergueram, há mais "Portugallica".

Estatísticas

  • 8 leitores
  • 17 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1331427

Comentário + votado

ghj

Desculpem lá mas dizer que Machine Head não devia de estar antes de Metallica e de que Moonspell é ...

Duarte Sousa

09.06.2008 18:48

X

Mais em Cultura (2 de 3 artigos)

O primeiro volume surgiu no início do século XVIII Primeiro dicionário da língua portuguesa disponível na Internet