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A psicologia por detrás da arte figurativa

Por que é que Lucian Freud é o pintor vivo mais caro do mundo?

20.05.2008 - 15:59 Por Alice Barcellos, Filipa Cardoso

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"Naked Portrait with Reflection" irá a leilão no próximo mês "Naked Portrait with Reflection" irá a leilão no próximo mês (Reuters)
“Eu pinto pessoas, não necessariamente pelo que elas parecem, não exactamente pelo que elas são, mas como elas deviam ser”. Esta citação de Lucian Freud, que na semana passada se tornou o pintor vivo mais caro do mundo, pode servir de mote para definir o estilo das suas pinceladas realistas que, por vezes, causam repulsa ao mesmo tempo que atraem.

“A obra de Freud tem uma singularidade no campo figurativo que outros pintores não têm”, disse ao PÚBLICO o crítico de arte Óscar Faria, exemplificando o trabalho que o artista realiza com modelos ao vivo. Foi a pintura “Benefits Supervisor Sleeping”, vendido na semana passada por 21,33 milhões de euros, que deu ao artista o título de pintor vivo mais caro do mundo.

O quadro em questão representa uma mulher gorda deitada nua num sofá. A modelo usada neste trabalho, Ms. Tilley também conhecida por Big Sue, já havia posado para o pintor em outras ocasiões. Esta pintura retrata aquilo que Óscar Faria define como uma forma de pintar “realista e bastante carnal”. “Essa figuração de tão real chega a impressionar”, afirmou.

O crítico de arte do PÚBLICO explica o facto de a obra de Freud ter atingido um preço elevado em leilão como sendo um fenómeno de mercado. Não é comum obras de grandes pintores irem a leilão. Para Faria é esta especulação à volta da pintura que despertou “o desejo de várias pessoas terem o quadro”.

Por exemplo, o tríptico de Francis Bacon que na semana passada atingiu os 55,4 milhões de euros, tornou-se a obra mais cara do período pós-guerra jamais vendida em leilão. Se o artista irlandês ainda fosse vivo, seria ele a ganhar o estatuto de pintor mais caro do mundo.

“Psicologia e superfície”
Sobre o estilo de Freud, o crítico de arte refere a intenção do pintor em “captar as características psicológicas dos modelos”, dando como exemplo Goya que também desenvolveu esta técnica. É por isso que Óscar Faria considera que a pintura de Freud “é qualquer coisa entre psicologia e superfície”. Para explicar a ideia, o crítico deu como contraponto Andy Warhol, “que apenas captava superficialmente os seus modelos”.

O estilo de Freud também pode ser visto no quadro em que representou a rainha Isabel II em 2001. Uma representação realista que causou divergências entre a imprensa. No "The Times”, Richard Cork, descreveu a imagem como “dolorosa, corajosa, honesta, estóica e, acima de tudo, bastante perspicaz”. Já o fotógrafo do jornal oficial da realeza afirmou que Freud deveria ser trancado numa torre.

As temáticas de Freud centram-se, sobretudo, nas pessoas que fazem parte da sua vida, de acordo com uma nota biográfica sobre o pintor no site da Tate Modern. Amigos, família, companheiros de profissão, amores e crianças são representados aos olhos de Freud, que considera “autobiográfico” o tema dos seus trabalhos. “Tem tudo a ver com esperança, memória, sensualidade e envolvimento com a realidade”, pode ler-se no mesmo documento.

“Girl with a white dog” (1950), em que Freud retrata a sua mulher, “Naked Girl” (1966), o primeiro de uma série de nus, “Reflection with Two Children” (1965), um auto-retrato, e “The Painter's Mother Dead”, um desenho da mãe logo após a sua morte, são alguns dos trabalhos mais conhecidos do artista.

Um pintor que encontrou na vida a inspiração artística
Lucian Freud nasceu em Berlim em 1922. Com 11 anos parte para Inglaterra com a família, em fuga ao nazismo. Cresce numa família de pensadores. Filho de pais judeus, Ernest Ludwing Freud, arquitecto, e Lucie née Brasch. É neto de Sigmund Freud, o criador da psicanálise e irmão de Clement Raphael Freud, escritor político, e de Stephan Gabriel Freud.

O seu percurso académico começa em Londres, cidade que escolheu para viver. Estuda na londrina “Central School of Arts and Crafts” (1939-42) e depois frequenta a “Cedric Morri´s East Anglian School of Painting and Drawing”, em Deham.

Durante dois anos, trabalha como marinheiro mercante nos navios Norte Atlântico. Mas em 1942 regressa aos estudos. A sua primeira exposição a solo acontece na Lefevre Gallery, em 1944, com a apresentação do quadro “The Painter's Room”. Depois disso, no Verão de 1946, viaja para Paris e a seguir para a Grécia, onde permanece por cinco meses.

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para oa burros

sim para os burros,q falam de tanta coisa na qual se rodeia o circulo artistico e q se afogam em ...

luisa carvalho

21.07.2009 03:22

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