O poeta e advogado Rui Costa, que estava desaparecido desde o princípio do mês, foi encontrado morto esta quinta-feira na foz do rio Douro, na Afurada, Vila Nova de Gaia, disseram à Lusa esta sexta-feira fontes policiais.
Rui Filipe Morais Aguiar da Costa, 39 anos, tinha uma leitura de poesia marcada para Espanha, no princípio deste mês, mas não apareceu nem deu qualquer notícia à família.
Fontes policiais assinalaram à agência Lusa que o corpo encontrado na Afurada é o de um homem que caiu ou se terá atirado da ponte da Arrábida no dia 4.
O jovem poeta venceu o prémio de poesia Daniel Faria, com o seu livro “A Nuvem Prateada das Pessoas Graves”, editado em 2005 pela Quasi Edições.
Dois anos depois recebeu o prémio Albufeira de Literatura pelo romance “A Resistência dos Materiais”.
Também no campo da Literatura, “cometeu a proeza” de apresentar uma lista alternativa à direcção do Pen Clube Português em Janeiro de 2009, ao lado dos poetas Rui Lage e Rui Cóias”, contou à Lusa o autor do blog “Da Literatura”, Eduardo Pitta.
Numa entrevista publicada no site http://www.pnetliteratura.pt/, Rui Costa defendeu o poder de resistência do livro face ao crescente primado da tecnologia e da mensagem instantânea.
“O livro sólido, com peso de papel manchado de tinta, continuará a ter sentido enquanto usarmos as mãos que ainda temos”, declarou.
Ao seu interesse pela Literatura aliava o gosto pelo Direito, licenciando-se nesta área pela Universidade de Coimbra (1996) e exercendo advocacia durante seis anos, em Lisboa e em Londres.
Destacou-se igualmente na área da saúde, obtendo um mestrado em Saúde Pública pela Institute of Health Sciences and Public Health-University of Leeds (2004) e dando aulas na Escola Superior de Saúde do Vale do Ave.
Em 2010, estava a trabalhar numa tese de doutoramento em Ciências da Saúde sobre o discurso e experiências de transformação do sector da saúde em Portugal e no Brasil.



