Play the Old Psychedelic Sounds of Today

20.11.2008 - 10:08 Por Mário Lopes, PÚBLICO, Hey Pachuco; distri. Groovie Records
O golpe de asa surge logo a início. "Death on you", a primeira canção, avança descontrolada sobre guitarras fuzz e descontrolo Black Lips, nós dançamos com ela e, num repente, aparece por ali adentro uma valsa com teclas rodopiantes e acordeão: o rock'n'roll transforma-se em festa circense e os Act Ups acabam de nos conquistar.
Dali até ao final das 13 canções de "Play the Old Psychedelic Sounds of Today", o terceiro álbum da banda barreirense, confirmamos que este é o seu melhor disco e reconhecemos que, se excluíssemos dele três ou quatro canções, seria a sua obra-prima. Banda que vive para os concertos - os discos são apenas o meio para chegar ao palco - transporta para estúdio esse sentido de urgência. Desta vez, contudo, temperam-no com um cuidado dado ao objecto canção que eleva "Play the Old..." acima dos álbuns anteriores. Música excessiva, concentra soul, garage-rock, punk no fio da navalha e um sentido trágico adoptado dos Gun Club - e sobre tudo isso os Act Ups dançam com energia contagiante e exigem que nos juntemos à celebração. No fim de tudo, é disso que se trata, celebração: a batida de "Be my baby" a desaguar em balada country rock ("Animal lust"), o "stomp" pantanoso de "Dance with me" (ou é filme de terror ou crime no Alabama) ou os amplificadores estremecendo com o fuzz de "A box with friends in it" (é só reunir um par de "go go dancers" e assaltar o palco). "Play the Old Psychedelic Sounds of Today" inscreve os Act Ups na genealogia rock'n'roll portuguesa e o seu único defeito é prolongar-se uns minutos mais que o necessário.


