Entre sexta e domingo o Planetário do Centro Multimeios de Espinho organiza a primeira edição do Immersive Film Festival (IFF), onde 55 filmes serão projectados a 360 graus em torno do público.
Com os filmes projectados numa cúpula, a plateia ficará rodeada de sons e imagens, o que proporcionará “um envolvimento muito maior com a história que se está a contar" explica à Lusa o astrónomo António Pedrosa, dirigente do Planetário e também director do IFF. “O espectador imerge no enredo, perde a noção dos limites da sala e é transportado para outro lugar" acrescenta.
Para António Pedrosa não existem dúvidas, este é o "futuro do cinema". "Apercebe-mo-nos disso no primeiro instante em que os filmes são exibidos, logo que se sente o enorme impacto da imersão" diz ao PÚBLICO.
A competição é composta por 25 curtas-metragens de animação, imagem real e 3-D. A duração máxima é de cinco minutos, devido às restrições técnicas da produção destes filmes. Para além dos filmes em competição são exibidos mais 30 filmes vindos da Alemanha, Espanha, China, Reino Unido, Estados Unidos e Holanda.
Pedrosa explica ao PÚBLICO que este tipo de produção cinematográfica nasceu com a astronomia e por isso este é um tema recorrente nas obras exibidas. “Temos muitos filmes sobre estrelas e buracos negros, mas também outras obras sem cariz científico, mais virados para a arte e o entretenimento.” Nesta última categoria, António Pedrosa destaca o filme SonicVision, produzido pelo Museu Americano de História Natural e a MTV2, onde durante 45 minutos os espectadores são imersos numa remistura musical ecléctica, que inclui faixas de artistas como David Bowie e White Zombie.
Desde 2005 que o Planetário de Espinho desenvolve os conteúdos projectados na sua cúpula. António Pedrosa afirma até que já “começa a ser um hábito a solicitação desse material por entidades externas". O planeamento deste festival foi então “um passo natural, agora que o cinema imersivo já tem alguma dimensão” explica o director do Planetário.
Para o director, o IFF é inédito a vários níveis. "O festival é o primeiro do género em Portugal, o único da Europa que não está limitado a estudantes universitários e o primeiro do mundo a apresentar filmes completos" explica o astrónomo à Lusa. "Nos Estados Unidos há o DomeFest, mas dura apenas uma hora e exibe produções incompletas " acrescenta. Os melhores trabalhados do Domefest serão também exibidos no IFF.
Sexta-feira as sessões do festival estão reservadas a grupos escolares. As sessões competitivas verificam-se sempre ao final da tarde e ao princípio da noite, tendo depois início os visionamentos extra concurso.
A periodicidade do IFF ainda não está definida, mas António Pedrosa diz que "realizar um festival de dois em dois anos parece uma boa opção".
Como produzir um filme imersivo
A produção de filmes imersivos difere muito da produção do cinema tradicional. Durante as filmagens são usadas câmaras com lentes grande angular, também conhecidas como "olho-de-peixe”", que permitem captar a imagem a 180 graus. "Muitas vezes, essas lentes até apanham o realizador", diz António Pedrosa em declarações à Lusa, "pelo que chega a acontecer ele ficar escondido atrás de uns arbustos, a tentar disfarçar-se na paisagem e passar despercebido aos espectadores".
A edição, exige também o uso de software "a que poucos realizadores têm acesso", pelo que a direcção do IFF está a considerar a possibilidade desses programas informáticos serem os prémios a atribuir aos vencedores do festival.
Mesmo o visionamento, implica não só uma tela circular mas também "equipamento de projecção muito caro que só está disponível em planetários muito avançados e que, no caso do festival de Espinho, veio propositadamente dos Estados Unidos", explica António Pedrosa.


