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Exposições em Madrid e Cuenca

PhotoEspaña arranca com obra de Pedro Costa em destaque

02.06.2009 - 18:35 Por Lusa

A maior edição de sempre daquele que é já um dos mais conceituados festivais de fotografia do mundo, a PhotoEspaña, começa amanhã em vários palcos de Madrid e Cuenca. No total, estarão presentes 248 artistas de 40 nacionalidades, em 72 exposições individuais e colectivas. A Secção Oficial, orientada pelo português Sérgio Mah, está ordenada em torno do tema genérico Quotidiano.
Pedro Costa, Tarrafal (fotograma), 2007 Pedro Costa, Tarrafal (fotograma), 2007 ()

Mah, o português que ocupa desde o ano passado as funções de comissário geral do festival, apostou este ano no tema do quotidiano, numa edição marcada pela difusão internacional e pela ampliação de programas para todos os público, incluindo pedagógicos e profissionais.

Na edição deste ano, que decorre entre hoje e 26 de Julho, destacam-se, entre outras, exposições de Gerhard Richter, Larry Sultan, Iñigo Manglano-Ovalle e Malick Sidibé.

Estarão também presentes obras de consagrados como Dorothea Lange, Ugo Mulas, Jindrich Styrsky e Annie Leibovitz.

Este ano, e pela primeira vez na PhotoEspaña, haverá uma mostra do brasileiro Mauro Restiffe, conhecido pelas suas imagens centradas no tema da arquitectura e do urbanismo.

No programa deste ano voltam a estar presentes os Encontros PHE - espaços de debate sobre a fotografia e a literatura - dirigidos pelo fotografo Ferdinando Scianna e pelo escritor Antonio Anson.

A aposta será também em novos artistas, com o programa "Descobertas PHE", onde serão visionados portfólios de 110 de entre 1.200 candidaturas de 65 países.

Haverá ainda outros programas educativos relacionados com a publicação de livros sobre a fotografia.

A edição de 2009 da PHE levará também "a fotografia à rua", com os programas "Noite da Fotografia", a Feira do Livro de Fotografia e a PhotoMaratona Canon.

Na apresentação, Sérgio Mah recordou que a edição deste ano continua a apostar nos "múltiplos sentidos da história e da cultura fotografia", desta feita apresentando obras "que mantêm um relacionamento peculiar com o quotidiano, com as vivências e gestos mais próximos e comuns". "É um tema muito aberto, mas também fundamental para perceber o tempo social que vivemos. É uma forma de reflectir tendências e fenómenos contemporâneos muito específicos das artes visuais", sublinhou. "Vemos propostas onde se tenta regressar à prática artística do essencial, procurando a experiência e a vivência real e pessoal", disse ainda.

Uma situação que, segundo Mah, acaba por reflectir o que se nota na própria sociedade, especialmente num momento de crise, "onde apesar da prevalência da tecnologia e do virtual" surgem cada vez mais indícios de "uma vontade de trabalhar sobre o mais próximo, sobre o pessoal".

"Este tipo de sensibilidade e afectividade é interessante porque a forma como as artes visuais o trabalham significa colocar a fotografia no centro deste processo. É um dos meios mais privilegiados para induzir e conferir interesse estético sobre os temas mais inesperados", disse Mah. "Não sabíamos que íamos ter uma crise economia e social, mas por isso faz mais sentido. O que se debate hoje é um 'back to basics', um desafio importante e um compromisso da arte e da fotografia", frisou ainda.

Neste sentido, explicou, evidencia-se quase uma "atitude reconfiguradora da fotografia", que permite experimentar o real e que "procura uma arte que evita o espectáculo, que evita o excessivamente simbólico ou alegórico, para procurar uma revelação sobre o mundo que ainda é familiar e reconhecido".

Pedro Costa em destaque

Um ciclo de cinema de Pedro Costa, uma mostra do "pai" do fotojornalismo português e duas exposições da secção oficial em Portugal são algumas das notas portuguesas na edição deste ano do festival.

Portugal - através da Embaixada em Madrid e do Instituto Camões - é um dos oito países que integram o OpenPhoto, um programa de exposições que estará patente na cidade de Cuenca. Neste caso, a Fundação Saura acolhe a exposição "Joshua Benoliel (1873-1932) Repórter Gráfico", uma mostra antológica que mostra o trabalho de um dos pioneiros do fotojornalismo português. Eventos como as viagens dos reis D. Carlos e D. Manuel, a revolução de 1910 e as revoltas monárquicas são alguns dos momentos registados pelas câmaras de Benoliel que introduziu em Portugal o conceito de que o cidadão pode ser protagonista do fotojornalismo.

Por outro lado, Lisboa consolida-se como um dos palcos da PhotoEspaña, acolhendo duas das exposições da Secção Oficial. O Museu Colecção Berardo acolhe uma exposição antológica de Cristóbal Hara, onde uma centena de obras "deixam patente a relação do autor com o tema do quotidiano durante toda a sua trajectória profissional".

A mostra inclui trabalhos muito recentes e obras das séries "Lances de Aldea" (1992); Vanitas (1998) e Contranatura (2006). Também no Museu Colecção Berardo está uma exposição de Mabel Palacin que incluirá fotografia e vídeo.

Pedro Costa terá um papel de destaque na Secção Oficial deste ano, com a Filmoteca espanhola a acolher as 14 obras fundamentais do realizador português, "considerado um pioneiro por ter destruído os limites entre o documentário e a ficção". O ciclo incluirá a apresentação de filmes como "O sangue", "Casa de Lava", "Ossos" e "No quarto com Vanda", entre outros. A voz de Pedro Costa, através de três peças audiovisuais e de uma curta-metragem, estará presente, dentro da Secção Oficial, numa mostra do Matadero de Madrid, um dos espaços culturais mais inovadores da cidade.

Na apresentação da edição deste ano, Mah destacou a importância da participação de Pedro Costa, que tem já "uma obra de referência" que o torna "muito prestigiado a nível internacional". "É uma oportunidade excelente para ter alguém que aposta nos modelos documentais e que mantém um compromisso temático que é muito evidente, sobre a vida nas cidades e a vida contemporânea", disse.

Amanhã, dia de arranque do festival, começa a retrospectiva com a exibição de "O Sangue". A 26 e 30 de Junho, é exibido o último filme de Pedro Costa, "Ne change Rien", estreado mundialmente na Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes, onde foi considerado um dos mais belos filmes do festival e que estreará em Portugal a 5 de Novembro.

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