A maior edição de sempre daquele que é já um dos mais conceituados festivais de fotografia do mundo, a PhotoEspaña, começa amanhã em vários palcos de Madrid e Cuenca. No total, estarão presentes 248 artistas de 40 nacionalidades, em 72 exposições individuais e colectivas. A Secção Oficial, orientada pelo português Sérgio Mah, está ordenada em torno do tema genérico Quotidiano.
Mah, o português que ocupa desde o ano passado as funções de comissário geral do festival, apostou este ano no tema do quotidiano, numa edição marcada pela difusão internacional e pela ampliação de programas para todos os público, incluindo pedagógicos e profissionais.
Na edição deste ano, que decorre entre hoje e 26 de Julho, destacam-se, entre outras, exposições de Gerhard Richter, Larry Sultan, Iñigo Manglano-Ovalle e Malick Sidibé.
Estarão também presentes obras de consagrados como Dorothea Lange, Ugo Mulas, Jindrich Styrsky e Annie Leibovitz.
Este ano, e pela primeira vez na PhotoEspaña, haverá uma mostra do brasileiro Mauro Restiffe, conhecido pelas suas imagens centradas no tema da arquitectura e do urbanismo.
No programa deste ano voltam a estar presentes os Encontros PHE - espaços de debate sobre a fotografia e a literatura - dirigidos pelo fotografo Ferdinando Scianna e pelo escritor Antonio Anson.
A aposta será também em novos artistas, com o programa "Descobertas PHE", onde serão visionados portfólios de 110 de entre 1.200 candidaturas de 65 países.
Haverá ainda outros programas educativos relacionados com a publicação de livros sobre a fotografia.
A edição de 2009 da PHE levará também "a fotografia à rua", com os programas "Noite da Fotografia", a Feira do Livro de Fotografia e a PhotoMaratona Canon.
Na apresentação, Sérgio Mah recordou que a edição deste ano continua a apostar nos "múltiplos sentidos da história e da cultura fotografia", desta feita apresentando obras "que mantêm um relacionamento peculiar com o quotidiano, com as vivências e gestos mais próximos e comuns". "É um tema muito aberto, mas também fundamental para perceber o tempo social que vivemos. É uma forma de reflectir tendências e fenómenos contemporâneos muito específicos das artes visuais", sublinhou. "Vemos propostas onde se tenta regressar à prática artística do essencial, procurando a experiência e a vivência real e pessoal", disse ainda.
Uma situação que, segundo Mah, acaba por reflectir o que se nota na própria sociedade, especialmente num momento de crise, "onde apesar da prevalência da tecnologia e do virtual" surgem cada vez mais indícios de "uma vontade de trabalhar sobre o mais próximo, sobre o pessoal".
"Este tipo de sensibilidade e afectividade é interessante porque a forma como as artes visuais o trabalham significa colocar a fotografia no centro deste processo. É um dos meios mais privilegiados para induzir e conferir interesse estético sobre os temas mais inesperados", disse Mah. "Não sabíamos que íamos ter uma crise economia e social, mas por isso faz mais sentido. O que se debate hoje é um 'back to basics', um desafio importante e um compromisso da arte e da fotografia", frisou ainda.
Neste sentido, explicou, evidencia-se quase uma "atitude reconfiguradora da fotografia", que permite experimentar o real e que "procura uma arte que evita o espectáculo, que evita o excessivamente simbólico ou alegórico, para procurar uma revelação sobre o mundo que ainda é familiar e reconhecido".
Pedro Costa em destaque
Um ciclo de cinema de Pedro Costa, uma mostra do "pai" do fotojornalismo português e duas exposições da secção oficial em Portugal são algumas das notas portuguesas na edição deste ano do festival.


