Petição pede “novos protagonistas” na organização da Capital Europeia da Cultura

01.06.2011 - 22:15 Por Lusa
Um alegado divórcio entre a Fundação Cidade de Guimarães (FCG) e os vimaranenses motivou um grupo de cidadãos a promover uma petição, na qual se pede uma “solução” que dote a Capital Europeia da Cultura de “novos protagonistas”.
A petição, que circula na Internet e em papel desde terça-feira, é dirigida ao presidente da Câmara Municipal de Guimarães, António Magalhães, e a Jorge Sampaio, presidente do Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães (CGFCG), encarregue da organização da Capital Europeia da Cultura (CEC) Guimarães 2012.
Os signatários afirmam que “não se resignam a vir a ser os que tiveram nas mãos uma oportunidade única e a desperdiçaram”, mostrando-se “convictos de que o divórcio entre o actual conselho de administração da FCG e os cidadãos de Guimarães é irreversível e nocivo para o sucesso da Capital Europeia da Cultura”.
À agência Lusa, o primeiro signatário da petição, Carlos F. Martins, explicou que o “objectivo da petição é alertar para a necessidade de se reorganizar a equipa da administração da FCG”, uma vez que a actual “sobrevive numa total desorganização”.
Desta forma, os signatários desta petição “apelam ao presidente da Câmara Municipal de Guimarães e ao Presidente do CGFCG para que usem os meios ao seu alcance para que se encontre uma solução que infunda uma nova esperança neste projecto, dotando-o de novos protagonistas”.
A principal crítica ao trabalho da FCG é o “alheamento da população de todo o processo organizativo da CEC” e a “evidente falta de resposta às recomendações do Conselho Geral da FCG”, explanou.
A 29 de Março, o CGFCG recomendou ao conselho de administração que promovesse “uma reflexão estratégica com vista a adoptar práticas que permitam uma ligação reforçada entre a CEC2012 e os agentes culturais, económicos e sociais de Guimarães e da região”.
Segundo o texto da petição, “nos dois meses que entretanto decorreram, aprofundou-se o afastamento entre a entidade organizadora da CEC e os cidadãos e agentes culturais, económicos e sociais de Guimarães”.
Confrontado com o conteúdo desta petição, o conselho de administração presidido por Cristina Azevedo respondeu que já foi “publicamente anunciado um conjunto de medidas e iniciativas que assinalam a nova fase de estreito relacionamento da Capital Europeia da Cultura com a cidade de Guimarães e os vimaranenses”.
Estas iniciativas, considera o conselho de administração, “tiveram em linha de conta as considerações do Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães”.
No entanto, a presidente da Associação Convívio, uma das três associações que está a trabalhar directamente com a FCG na programação da CEC, Isabel Machado, afirmou à Lusa que “é visível e por demais evidente o incómodo relativo à CEC sentido pelos vimaranenses” e que “não se pode escamotear essa situação”.
Isabel Machado explica este “desânimo” com as “altas expectativas” dos cidadãos de Guimarães para com o evento e a “falta de resposta por parte da organização”.


