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Entrevista

Pedro Lapa: "É impensável viver em absoluta dependência da tutela"

13.11.2009 - 14:35 Por Vanessa Rato

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Pedro Lapa deverá dedicar-se agora à investigação Pedro Lapa deverá dedicar-se agora à investigação (Enric Vives-Rubio)
Foram 11 anos de luta pela ampliação do Museu do Chiado, o único de arte contemporânea do Instituto de Museus e da Conservação, mas, no momento em que essa ampliação fica anunciada, Pedro Lapa, de 48 anos, é afastado da direcção da instituição, preterido pelo outro único candidato ao cargo - Helena Barranha, de 38 anos, um nome até agora desconhecido. Apesar de um manifesto de apoio assinado por 500 agentes culturais, Pedro Lapa escusa-se a polemizar a sua saída, mas não se escusa a pôr o dedo na ferida do que considera ser a falha crónica nacional: o estabelecimento de uma política para os museus.

Ser preterido foi um choque? Depois de dez anos, não teve nenhum aviso da tutela de que havia intenção de mudança?

Não, não tive nenhuma indicação nesse sentido. Surpreendeu-me. Mas as coisas são assim.

Dito desse modo, parece simples.

É um assunto que me ultrapassa. Não foi uma decisão minha. No que me diz respeito, entendi que faria sentido dar continuidade ao meu trabalho, se houvesse um objectivo maior. Foi dado um primeiro passo [no sentido desse objectivo maior: a ampliação do museu]. Isso foi extremamente motivador.

Acredita, então, que este anúncio de ampliação é para manter?

Já houve outros, antes...Pois já. Mas agora passou-se a uma acção concreta. Penso que haver um prazo para a saída do comando metropolitano da polícia [do espaço contíguo ao ocupado pelo museu] e o [novo] sítio para o instalar é mais palpável do que o que aconteceu das outras vezes.

Discutiu-se, em diversos momentos, o que deveria ser o museu ampliado. O que deveria ser para si, hoje?

O projecto por que me bati sempre é que no quadro das outras instituições a trabalhar com arte contemporânea em Portugal não existirá nunca nenhuma que tenha a vocação de apresentar os desenvolvimentos interiores do contexto português. Todas têm uma vocação internacionalista e, assim, não faz sentido que apresentem número igual de artistas portugueses e estrangeiros, pelo que terá sempre que existir um espaço que dê conta da diversidade [nacional]. É nesse sentido que o Chiado deve trabalhar. Não significa que fique encerrado num nacionalismo serôdio. Não é o que estou a defender. O que estou a defender é que, se outros partem de uma lógica internacional para chegar ao local, este museu pode partir de uma lógica local e confrontá-la com o que se passa fora. Se este projecto não for continuado, os artistas portugueses vão sentir sempre, como actualmente sentem, um défice de representação do seu trabalho no contexto do seu próprio país.

Põe a hipótese de esse projecto ser terminado?

Não sei se o museu, na sua nova fase, continuará este projecto, mas a representatividade que propõe é insubstituível. Serralves, Museu Berardo, Culturgest: não estou a ver nenhuma destas instituições a enveredar por uma lógica nacional.

Uma das coisas que me foi grata, talvez a mais grata ao longo destes anos, foi perceber uma total compreensão e empenho da comunidade artística. Trabalhei com meios absolutamente indescritíveis. É um facto. E, se a reconstrução da colecção foi levada a cabo, foi porque os artistas doaram ou venderam a preços simbólicos muitas obras e muitas delas entre as suas mais significativas, de modo que não tenho dúvidas de que este projecto faz falta e a comunidade se revê nele. Por outro lado, um aspecto muito relevante para o crescimento da colecção foram as exposições temporárias. Ao contrário do que diziam muitas críticas apressadas, foram sempre fortes elos de angariação de obras.

É uma estratégia há muito em prática em termos internacionais. Mas as críticas deviam-se menos às exposições temporárias, em si, e mais ao espaço por elas ocupado, implicando a retirada da colecção do museu. Com a ampliação, acha que é possível e faz sentido ter a colecção exposta em permanência?

Obviamente. Quase todas as questões que afectam este museu vão dar ao problema da insuficiência de espaço. São 750 m2 de área expositiva, inadmissível para um museu nacional que desde 1911 tem como missão apresentar os desenvolvimentos da arte portuguesa de 1850 à actualidade. Por isso me bati pelo alargamento.

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A pergunta que faltou

É incrível como se pode fazer uma entrevista de fundo a este senhor e não lhe perguntar sobre a ...

Anónimo

15.11.2009 20:50

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