Magic Sam e Sonny Sharrock

Pedro Gomes levou blues e free-jazz ao Maria Matos

20.10.2009 - 00:02

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“Black Woman”, de Sonny Sharrock, foi uma das escolhas de Pedro Gomes para o segundo Super Disco “Black Woman”, de Sonny Sharrock, foi uma das escolhas de Pedro Gomes para o segundo Super Disco (DR)
Já passava das 18h30 quando começou a segunda sessão do Super Disco, no café do Teatro Maria Matos. O convidado, Pedro Gomes, é músico e promotor de espectáculos, enquanto membro fundador da promotora Filho Único. Num estilo muito próprio, propôs a audição de blues e free-jazz, através dos guitarristas Magic Sam e Sonny Sharrock, respectivamente. Desta vez, o Super Disco assumiu uma dimensão plural no que ao conceito base diz respeito – exposição de apenas um disco.

Magic Sam, com dois álbuns editados (“West Side Soul”, um dos dois Super Discos, e “Black Magic”), foi o músico que teve direito a maior tempo de antena na tertúlia de sábado à tarde. E percebe-se porquê. Enquanto passava “We’re Gonna Boogie”, Pedro Gomes, de olhos cerrados e copo de whisky na mão direita, embalava no ritmo. Os pés, na audiência, marcavam o compasso. Perante qualquer impureza sonora, o músico inclinava-se perante a mesa de mistura para ajustar a equalização (graves, médios, agudos). Com o som aperfeiçoado, era tempo de voltar a desfrutar a guitarra tremida e saltitante (ouvia-se por esta altura “I feel alright, I feel so good”, reinando a boa disposição).

Para Pedro Gomes, “Magic Sam morreu no dia errado. Preparava-se para ser uma estrela”. Por isso talvez tenha tido direito a marcar presença no café do Maria Matos. Na última música que se ouviu do guitarrista de nome original Samuel Gene Maghett, Gomes não poupou elogios a “All Your Love”. O membro da promotora Filho Único reconhece que a balada, resultante de um desgosto amoroso, mostra que “às vezes vale a pena sofrer para oferecer estas coisas à humanidade”.

Mas, à semelhança do que se passou na primeira sessão, por vezes os discos escolhidos são remetidos para segundo plano. Acontece sobretudo quando os entrevistadores (José António Moura da loja de discos Flur e Isilda Sanches da rádio Oxigénio) apelam a uma contextualização de como e quando os discos chegaram às mãos do entrevistado. Pedro Gomes não dá muita importância ao contexto, apenas à música em si. É incapaz de trabalhar e ouvir um bom disco ao mesmo tempo. Uma coisa ou outra. “Não as duas em simultâneo”, garante. Quando a discussão entrou brevemente no domínio do “espiritual”, palavra de que Pedro Gomes não é fã, o músico afirmou que, em determinadas alturas, “a música pode pôr-nos em contacto com coisas que não têm nome”. Não acredita em “Deus nosso senhor”, mas quando toca ao vivo aproxima-se várias vezes destas “coisas que não têm nome”, confessou.

Uma nova sonoridade estaria, porém, prestes a entrar pelos ouvidos da plateia. Alguns olhares no mínimo escandalizados, poder-se-ia dizer, ao primeiro escutar de uma das músicas de “Black Woman”, o álbum de 1969 de Sonny Sharrock, o Super Disco de Pedro Gomes. Não sabemos ao certo se, depois de estranhar, a música se entranhou nos ouvidos da audiência. Até José António Moura caracterizou a sonoridade, após a primeira de duas audições, como “mais próxima do caos que da música propriamente dita”. Mas se o objectivo foi impressionar, então tratou-se de uma missão cumprida. E Gomes ainda fez um alerta. “Se ficaram escandalizados com a gritaria da primeira faixa então agora na segunda ainda vai ser pior. Ou melhor”. Não deve ter ficado muito longe da verdade. No final da música, as caras dos presentes pareciam mais próximas do alívio que do regozijo. Afinal de contas, o Super Disco é de Pedro Gomes. E, para finalizar a sessão, o músico e promotor exprimiu a sua visão da música, falando em influências, regressos ao passado e apostas em sonoridades futuristas.

“A música chata soa sempre a velha. A música estúpida soa sempre estúpida. E a música inteligente é eterna”.

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Excelente iniciativa do Maria Matos, Flur e Oxigénio e belo texto, Simão Martins

Bela iniciativa esta do Maria Matos, da Flur e da Oxigénio trazendo os discos das prateleiras ...

José Eduardo Martins

20.10.2009 12:47

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