A terceira edição do Panorama - Mostra do Documentário Português, que terminou ontem, em Lisboa, foi vista por 3500 pessoas, mais 1200 do que na edição anterior, anunciou a organização.
Inês Sapeta Dias, uma das programadoras do evento, que se realizou no cinema de S. Jorge, disse que o certame se afirmou como "momento de reflexão, pelo grande interesse do público nos filmes apresentados e participação nos debates".
A mostra iniciou-se a 13 de Fevereiro, tendo sido exibidos 43 filmes, sete dos quais em estreia e, em antestreia, o filme de Catarina Alves Costa "Falamos de António Campos".
"Apesar de haver menos sessões, tivemos mais público a ver filmes e também a participar nos debates, que também contaram com uma presença mais regular de realizadores e produtores. As pessoas já perceberam que esta mostra não é um festival, mas um lugar de paragem para reflexão sobre o cinema documental", referiu.
Esta terceira edição do Panorama fez uma retrospectiva dos filmes de António Campos, realizador falecido há uma década, e pouco conhecido do público, que realizou, entre outros, "Histórias Selvagens".
Durante a mostra foram ainda exibidos, deste realizador, outros filmes considerados referências no cinema etnográfico, como "Falamos de Rio de Onor" (1974), "A Festa" (1975), "A Almadraba Atuneira" (1961) e "Um tesoiro" (1958). António Campos, que registou em filme o Portugal rural e interior dos anos 1960 e 1970, morreu em 1999 aos 77 anos.
Grande parte dos filmes seleccionados da programação desta terceira edição foi retirada da produção documental de 2008, entre eles "Bab Sebta", de Frederico Lobo e Pedro Pinho, distinguido no Doclisboa, "Aquele querido mês de Agosto", ficção documental de Miguel Gomes, "O tapete voador", de João Mário Grilo, e "O meu amigo Mike ao trabalho", de Fernando Lopes.
Entre os filmes que se estrearam no Panorama contam-se "Da vida das bonecas", de Neni Glock, "Árvores", de Eva Ângelo, e "Cordão verde", de Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres.
O Panorama é organizado pela Apordoc, Associação pelo Documentário, pela EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, e pela Videoteca Municipal de Lisboa.



