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O Artista ganhou cinco Óscares, incluindo os de melhor filme, realizador e filme. Meryl Streep voltou a ganhar uma estatueta dourada, a terceira, quase 30 anos depois. Woody Allen, distinguido pelo argumento original de Meia-noite em Paris, também regressou à lista dos galardoados (e voltou a não comparecer na cerimónia).
Os dois filmes que mais estatuetas arrecadaram na 84.ª edição dos Óscares, neste domingo, em Los Angeles, foram O Artista e A Invenção de Hugo. A película de Martin Scorsese saiu da cerimónia com cinco estatuetas douradas, tantas quanto O Artista. Porém, o filme francês venceu nas principais categorias.
O Artista fez história, vencendo na principal categoria, de melhor filme. Foi a primeira vez que uma produção de um país que não de língua inglesa o conseguiu. O produtor Thomas Langmann foi receber a estatueta ao palco com Michel Hazanavicius, que agradeceu três vezes a Billy Wilder (realizador, 1906-2002). Hazanavicius já lá tinha estado, minutos antes, para receber o Óscar relativo ao prémio de melhor realizador.
Jean Dujardin, que interpretou a personagem do famoso “artista” que se transforma num inadaptado na mudança do cinema mudo para os talkies, foi distinguido com o Óscar para melhor actor. Quando o nome do francês foi anunciado como o vencedor, já O Artista coleccionava três estatuetas: além da de melhor realizador, a de melhor guarda-roupa e a de melhor banda sonora original.
A Invenção de Hugo venceu sobretudo nas chamadas categorias técnicas. A primeira incursão de Martin Scorsese no 3D amealhou cinco Óscares: melhor fotografia, melhor direcção artística, melhores efeitos visuais, melhor montagem de som e melhor mistura de som. Apesar de, nas contas finais, aparecer empatado com O Artista, A Invenção de Hugo, o filme mais nomeado deste ano (11 indicações), foi assim relegado para segundo plano nesta cerimónia como um digno vencido.
A dama de Hollywood
A consagração de Meryl Streep, com o terceiro Óscar da carreira, foi um dos pontos altos desta edição dos prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. A interpretação conseguida em A Dama de Ferro, no qual deu corpo à ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, valeu-lhe o Óscar para melhor actriz, já depois de um Globo de Ouro e de um Bafta.
Meryl Streep, de 62 anos, foi aplaudida por uma plateia de pé. “Quando chamaram pelo meu nome, tive a sensação de estar a ouvir meia América dizer ‘oh, vá lá! Ela outra vez?’”, brincou, já com a estatueta na mão. Em pouco mais de três décadas, a actriz foi nomeada 17 vezes e já tinha ganho duas estatuetas, pelos desempenhos em A Escolha de Sofia (1983) e Kramer Contra Kramer (1980). A principal concorrente era Viola Davis (As Serviçais).
“Olho para aí [para a plateia] e vejo diante dos olhos os meus velhos amigos, os meus novos amigos”, disse, antes de agradecer a todos a “carreira inexplicável e maravilhosa” que tem tido, acrescentando que “tem sido uma grande honra” dedicar a sua vida ao cinema. Meryl Streep partilhou o prémio com Mark Coulier, que a acompanha desde A Escolha de Sofia e que nesta noite ganhou também um Óscar, pelo trabalho de caracterização em A Dama de Ferro. A actriz, que disse acreditar que esta era a última vez que era galardoada nos Óscares, prestou ainda uma sentida homenagem ao marido, o escultor Don Gummer.
Quem fez questão de não partilhar o seu prémio com os colegas foi Christopher Plummer, que saiu do antigo Kodak Theatre (o patrocínio foi cancelado) com o Óscar para melhor actor secundário, pelo desempenho em Assim É o Amor. “Partilharia este prémio com ele [Ewan McGregor, que com ele contracenou e cujo talento tinha acabado de elogiar], se tivesse alguma decência. Mas não tenho”, afirmou o canadiano, depois de agradecer à equipa que fez o filme de Mike Mills.



