Crítica

Os Grizzly Bear ainda não são animais de palco

28.05.2010 - 12:45 Por João Pedro Barros

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Grizzly Bear + Cibelle
Coliseu do Porto
Quinta-feira, 27 de Maio, 21h30
Cerca de mil pessoas
4 estrelas em cinco

Os Grizzly Bear são uma espécie de esponja que absorve um número aparentemente infindável de referências da música popular. Ouvimos o disco que vieram agora apresentar a Portugal, Veckatimest, e surpreende-nos como são capazes de juntar de forma tão coesa elementos que associamos a diferentes géneros, criando uma linguagem própria. Horn of Plenty, álbum de estreia, datado de 2004, continha um punhado de canções pouco estruturadas, próximas da folk, mas a banda foi evoluindo e absorvendo referências. Ainda há uma base folk, mas, nos momentos em que as guitarras tomam a dianteira, há uma sugestão pós-rock. O trabalho mais recente aproximou-os de um formato de canção mais tradicional e cristalinamente pop (Two weeks, a “tal” música do anúncio da Peugeot, é o melhor exemplo). Também nos lembramos, a espaços, dos Radiohead e sentimos uma costela jazz em determinadas construções.

Esta assimilação é a grande força do colectivo de Brooklyn e ficou clara no concerto do Coliseu do Porto. Em palco, estiveram quatro excelentes e empenhados músicos, com ideias para mostrar perante uma plateia demasiado pequena para um espaço tão grande, apesar das cadeiras. Foi uma actuação intensa, mas fica a sensação de que faltou qualquer coisa difícil de definir para se poder dizer que os Grizzly Bear deram um concerto memorável. Talvez tenha havido algum défice de calor humano por parte da banda: no quarteto, não há uma “espalha-brasas” como Cibelle, brasileira responsável pela primeira parte. Mas já lá vamos.

Os Grizzly Bear não são apenas dificilmente classificáveis em termos de género musical. Na abordagem às canções, conseguem ser delicados e etéreos, mas também agressivos. Em palco, dispõem-se lado a lado, até porque as vocalizações são partilhadas (se bem que Edward Droste e Daniel Rossen assumam os papéis principais, com o primeiro a encarregar-se da comunicação com o público). E serão uma banda para ver de pé ou sentado? A questão foi resolvida quando Droste pediu à assistência para se levantar no penúltimo tema do alinhamento, o contagiante While you wait for the others. No entanto, fica a ideia de uma banda com uma postura algo “professoral” e até distante, especialmente no que toca a Daniel Rossen. Para os Grizzly Bear darem o salto para o estatuto de “animais de palco”, falta-lhes alguma da loucura que têm, por exemplo, os Animal Collective. E acrescente-se ainda que canções como Colorado são mais impressivas em disco. De qualquer forma, o potencial das harmonias vocais esteve lá, se bem que tenha apetecido ouvir um pouco da voz de Droste sem a “camulfagem” da reverberação. Quanto ao alinhamento, passou em revista grande parte de Veckatimest, com passagens pelo anterior Yellow House. O encore foi preenchido com uma versão de He hit me (It felt like a kiss), tema popularizado pelos The Crystals, e All we ask em formato acústico.

Resta falar de Cibelle, responsável pela primeira parte (haveria de regressar ao palco para assegurar os coros de Two Weeks). Sempre muito comunicativa e de copo de vinho na mão, conquistou o público com o seu magnetismo, tendo mesmo regressado para um mini-encore. Munida de uma guitarra eléctrica e de um sampler, centrou-se nos temas de Las Vênus Resort Palace Hotel e mostrou uma voz cheia e poderosa, aguda quando necessário. Talvez tenha sido este calor sul-americano que faltou aos Grizzly Bear para se falar de uma noite em cheio.

Corrigida às 18h05

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Lamentável este texto

"para os grizzly bear darem o salto para o estatuto de “animais de palco”, falta-lhes alguma ...

Carlos Silva

28.05.2010 17:13

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