A Ópera de Berlim suspendeu a representação da ópera de Mozart "Idomeneo" depois de o Gabinete Federal de Investigação Criminal do país ter advertido para o perigo de ataques devido ao conteúdo da obra, que propõe um mundo sem divindades. A chanceler Angela Merkel já criticou a decisão.
O tema da ópera de Mozart é o levantamento dos homens contra Deus e uma tomada de posição face às religiões. No epílogo da encenação que estava para ir à cena, Idomeneo, rei de Creta, entra no palco com um saco que contém as cabeças de Buda, Poseidon, Jesus e Maomé. De seguida, exibe-as ao público, colocando-as de forma vitoriosa sobre cadeiras.
"Temos de ter o cuidado de não nos deixarmos intimidar pelo medo e pela violência radical. A autocensura devido ao medo não é tolerável", disse Merkel em declarações ao diário alemão "Neue Presse", citadas pela edição online do El Pais.
Para a chanceler alemã, "a autolimitação só é verdadeiramente aceitável quando se trata de uma decisão responsável dentro de um verdadeiro diálogo entre as culturas, que seja completamente pacífico".
A directora-geral da Ópera de Berlim, Kirsten Harms, disse que em meados de Agosto recebeu um telefonema do ministro do Interior do governo regional berlinense, Ekhart Koertin, que a informou de uma chamada anónima com ameaças.
A suspensão da obra e a reacção da chefe do Governo alemão surgem num momento em que o país organiza, em Berlim, a primeira Conferência do Islão. Para o evento, que começa hoje, o Governo federal convidou as diferentes organizações muçulmanas do país.


