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Paradeiro desconhecido

Onde está o escritor Michel Houellebecq?

15.09.2011 - 12:21 Por Cláudia Carvalho

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Michel Houellebecq devia ter estado na Holanda no início desta semana Michel Houellebecq devia ter estado na Holanda no início desta semana (Reuters)
Ninguém sabe onde está Michel Houellebecq, vencedor do Prémio Goncourt em 2010 com o livro “O Mapa e o Território”. O escritor francês deveria ter estado esta semana na Holanda e na Bélgica para apresentar o seu último livro mas acabou por deixar o público plantado. Não apareceu nem atende o telefone.

O escritor poderá ter simplesmente esquecido o compromisso promocional mas a falta de sinais de Houellebecq levanta suspeitas maiores.

“Nós realmente não sabemos o que se está a passar”, disse à agência de notícias Bloomberg Barbara Simons, porta-voz da Het Beschrijf, editora que organizou as apresentações do escritor na Holanda e na Bélgica. "É estranho, não temos notícias nenhumas e ele não chegou.”

Barbara Simons explicou ainda que já entrou em contacto com a editora francesa de Houellebecq, e nem o agente nem o tradutor sabem onde está o escritor, de 53 anos.

Ao jornal Le Fígaro, um amigo parisiense de Houellebecq explicou que o escritor mudou recentemente de número de telefone para não ser perturbado, destacando que já é hábito de Houellebecq não responder aos emails nem dar notícias suas por um tempo. Ontem, a apresentação de “O Mapa e o Território” na Bélgica foi também cancelada.

Uma figura controversa

Michel Houellebecq é conhecido pelo seu humor negro e pela constante crítica social, sempre mordaz. Enquanto muitos vêem um génio no escritor, há outros que o acusam de ser uma pessoa controversa e que incita ao ódio racial. Com uma visão muito característica do mundo, Michel Houellebecq refugiou-se há muito tempo no sul de Espanha, onde viverá de forma discreta e quase em reclusão.

Piet Joostens, um dos organizadores das leituras que o autor faria na Holanda e Bélgica, disse que o desaparecimento do escritor ainda não foi comunicado à polícia.

“Eu não entraria em pânico ainda”, disse à Bloomberg. “Não temos evidências concretas de que ele está desaparecido. É claro que estamos preocupados. Já aconteceu antes ele não responder a emails, mas é raro deixar o seu público pendurado."

À medida que as incertezas crescem, aumentam na imprensa as histórias sobre o que se passará com Michel Houellebecq. O francês Le Parisien refere que o escritor estava com “graves problemas de saúde”, tendo sido este o principal motivo para se ter fixado em Espanha, onde procurou recuperar. Mas há quem garanta ter visto Houellebecq no início do mês a deambular pelas ruas de Paris. O jornalista do Le Nouvel Observateur diz que encontrou o escritor na rua a 1 de Setembro. “Tentei fazer-lhe uma pergunta sobre a sua recente viagem à Patagónia. Não pareceu ouvi-la, os seus pés continuaram o caminho, olhou para mim com um sorriso discreto e olhar ausente”, escreveu David Caviglioli.

O mais curioso é que o próprio livro que Houellebecq ia promover é sobre um escritor, Michel Houellebecq, que desaparece sem deixar rasto. O autor, que construiu uma narrativa em torno da imagem e do poder dessa imagem, através da história de Jed Martin, pintor que retrata Houlleceq num quadro, é encontrado morto, juntamente o seu cão.

“O Mapa e o Território”, que chega este mês às lojas portuguesas, editado pela Alfaguara, é o quinto romance de Houellebecq e foi recebido com elogios praticamente unânimes pela crítica. No centro da história está o artista Jed Martin, filho de um arquitecto famoso, que pede ao reconhecido autor Michel Houellebecq que lhe escreva o prefácio para o catálogo da sua exposição.

Houellebecq foi nomeado para o Goncourt, o prestigiado prémio literário francês, pela primeira vez em 1998 com o livro “As Partículas Elementares” (editado em Portugal pela Temas e Debates e pelo Círculo de Leitores) e, sete anos mais tarde, com “A Possibilidade de uma Ilha” (Dom Quixote).

Notícia actualizada às 14h43

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