O grupo de pessoas que continua barricado no Teatro Rivoli, no Porto, garante estar motivado e disposto a prosseguir o seu protesto contra a privatização do espaço, que começou na noite de domingo.
Um dos manifestantes, Tiago Afonso, diz ter acordado hoje rouco e muito cansado, mas disposto a não desistir do protesto.
"As pessoas estão motivadas e dispostas a permanecer aqui pelo tempo necessário para garantir que o único teatro municipal desta cidade não seja privatizado", disse à Lusa Tiago Afonso, cineasta e espectador da sessão de domingo da peça de teatro "Curto-Circuito", do Teatro Plástico, após a qual começou a ocupação do Rivoli.
Tiago Afonso confessou-se cansado, por ter "dormido muito pouco" e por estar a fazer "um esforço enorme" para conseguir falar com o exterior.
"Como nos fecharam a porta de acesso à rua, temos de gritar para que nos consigam ouvir", disse, salientando que deixou de ser possível passar alimentos e outros bens e "principalmente tornou-se quase impossível a comunicação com os jornalistas".
O manifestante afirmou que até hoje "ainda ninguém passou fome, até porque ontem foi possível fazer uma reserva com os alimentos oferecidos pelos amigos (conservas, sanduíches e outros)".
"A partir de agora, o procedimento que vigora é o de cadeia, ou seja, parece que os alimentos podem ser entregues ao segurança, para serem confirmados, e só depois é que nos são entregues", disse.
As dificuldades cada vez maiores com que se confrontam são, contudo, desvalorizadas por este manifestante, que considera que o que importa não são as condições de sobrevivência do grupo mas a discussão em torno de questão que originou o protesto.
"Não é importante se eu tomo banho com água fria ou se não tenho iluminação. Valorizar estes pormenores é tirar valor ou força às questões que são realmente importantes", frisou.
Sobre a queixa-crime apresentada pela Câmara do Porto contra dois dos ocupantes do Rivoli, Tiago Afonso considera que se trata de "mais uma atitude desesperada, de quem não sabe o que dizer e o que fazer".
A Câmara do Porto anunciou ontem ter apresentado uma queixa-crime contra dois dos manifestantes, depois de o espectáculo de solidariedade protagonizado por Luís Represas, a favor da luta contra a paramiloidose, ter sido transferido para a Casa da Música por alegada falta de condições para a sua realização no Rivoli.


