O Velho Mundo encontra a América Latina nas curtas de Vila do Conde

06.07.2009 - 11:52 Por Inês Nadais
Há muita América Latina no 17.º Curtas Vila do Conde: é uma das direcções possíveis da Competição Internacional que hoje arranca às 21h30, na Sala 1 do Teatro Municipal. Até sexta-feira, o Velho Mundo encontra-se (e confronta-se) com uma paisagem cinematográfica em reconversão (como o próprio continente latino-americano, aliás: ainda é Terceiro Mundo e já é a nova potência global, pelo menos se olharmos com olhos de ver para o Brasil) e em pico de produtividade. Das 46 curtas a concurso, nove vêm desse território - uma desproporção que já tinha sido anunciada pelo IndieLisboa e que se repete agora no principal festival de curtas-metragens do país.
O México (com Buenas Intenciones, de Ivan Lomelí, Entrevista con La Tierra, de Nicolás Pereda, Roma, de Elisa Miller Encinas, Goodbye Garibaldi, de Alejandro Ramírez Corona, e Samantha, de Constanza Novick, numa co-produção com a Argentina) é o país latino-americano mais representado em Vila do Conde, mas a Competição Internacional também dá Brasil (Elo, de Vera Egito, e What Are You Looking For?, de Camila Gonzatto), e ainda vai ao Peru (Diario del Fin, de Alejandro Ramírez) e ao Sul do continente, com Silencio en Sala, do argentino Felipe Gálvez Haberle.
América Latina à parte, a Competição Internacional reencontra alguns dos autores da família de Vila do Conde, como o suíço Georges Schwizgebel, Retouches passa já hoje), a finlandesa Eija-Liisa Ahtila (Rukoushetki), o francês Yann Gonzalez (Les Astres Noirs), os alemães Christoph Girardet e Matthias Müller (Contre-jour), o russo Sergei Loznitsa (Northern Light), a belga Manon de Boer (Two Times 4'33''''), o tailandês Apichatpong Weerasethakul (A Letter to Uncle Boonmee), o taiwanês Tsai Ming-liang (Madam Butterfly), o norte-americano Ken Jacobs (What Happened on 23rd Street in 1901 e Hot Dogs at the Met).
Na Competição Nacional, há 11 estreias absolutas (filme já estreado não entra) para ver já a partir de quarta-feira, com destaque para Canção de Amor e Saúde, de João Nicolau - depois de, em 2006, ter trazido do festival o Grande Prémio Cidade de Vila do Conde, o novo filme entra em jogo já em vantagem. Numa edição absolutamente dominada pela ficção, concorrem também Bruno Ramos (Para Onde Vou), Edgar Medina (Peixe-Aranha), Tiago Sousa (El Justiceiro), João Constâncio (O Destino do Sr. Sousa), Cláudia Varejão (Um Dia Frio), Bruno Lourenço (Tony), Vasco Araújo (Augusta) e o fenómeno Gabriel Abrantes (Too Many Dadies, Mommies and Babies), que em Abril, no IndieLisboa, ganhou o Prémio Novo Talento FNAC com Visionary Iraq. Documentários, apenas Matar o Tempo, de Margarida Leitão, sobre operários em vigília de protesto à porta de uma empresa, e Listening to the Silences, de Pedro Flores, sobre um homem que dá a vida pelas vozes dentro da cabeça.

