Primeira vez que um espólio inteiro é absorvido por outra instituição

O Museu de Arte Popular mudou de casa

09.07.2009 - 10:04 Por Ana Machado

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Pais de Brito frisa que o espólio está preparado para todas as hipóteses: voltar ao edifício original ou ir para outro lugar Pais de Brito frisa que o espólio está preparado para todas as hipóteses: voltar ao edifício original ou ir para outro lugar (Daniel Rocha)
É a primeira vez que o espólio de um museu muda de casa, para dentro de outro. Foram nove meses para fazer a mudança do Museu de Arte Popular, fechado desde 1998. Quando se poderá visitar a colecção? Será que vai voltar à antiga casa?

Joaquim Pais de Brito não se lembra de alguma vez ter acontecido uma coisa destas. O espólio inteiro de um museu totalmente transferido para outro museu. Aconteceu com o Museu de Arte Popular, em Lisboa. Todos os objectos, que representam a mostra da arte popular produzida de norte a sul do país, reunida pela vontade de António Ferro durante os anos 40, em plena ditadura, foram transferidos para o Museu Nacional de Etnologia, também em Lisboa, de que Pais de Brito é director. "Sabia-se que o museu estava em obras, que tinha infiltrações, que o quadro de electricidade estava em mau estado, que não havia filtros anti-raios UV nas janelas nem alarme", disse ao P2. "Havia que criar condições."

A ordem para proceder aos trabalhos para acolher o espólio do Museu de Arte Popular (MAP) no Museu Nacional de Etnologia (MNE) chegou à sua secretária em 2006. "Fui informado em Outubro e fiz questão de ditar as minhas condições: impedir a perda de informação, não dispersar as colecções e proceder a um inventário rigoroso sobre tudo o que havia no museu, com registo fotográfico, o lugar onde pertencia, a sua proveniência, tudo. Pedi ainda para que ficasse registado o estado de conservação das peças e que nos fosse garantido orçamento para arranjar espaço próprio para receber o espólio no Museu de Etnologia e para que tivesse uma equipa de seis pessoas dedicada ao trabalho."

Condições aceites, a mudança começou. "Fez-se o trabalho mais notável que este museu já fez. Havia uma grande responsabilidade intelectual e pessoal. Este foi um acontecimento muito raro. Tinha de ser um trabalho consolidado, qualquer que fosse o objectivo da mudança. Mas nem sequer se me colocou a questão de não continuação do Museu de Arte Popular!", exclama Pais de Brito, que coordenou os trabalhos, recordando que já tinha acompanhado um processo idêntico em França, quando o Museu de Arte e Tradições Populares foi integrado no grande Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo, em Marselha.

O MNE tornou-se, assim, guardião de um tesouro no meio de uma polémica: intelectuais e figuras ligadas à museologia defendem o regresso do espólio ao espaço original, o edifício do Museu de Arte Popular, junto ao Tejo, tendo para isso reunido num abaixo-assinado já mais de 4300 assinaturas. O Ministério da Cultura reclama o espaço da frente ribeirinha para fazer nascer um novo espaço, o Museu Mar da Língua Portuguesa, apresentado ainda durante o mandato da anterior ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima.

Alexandre Oliveira, antropólogo do Museu de Arte Popular, a preparar uma tese de doutoramento sobre o espólio, foi um dos responsáveis por esta mudança que demorou nove meses a fazer. "O trabalho de identificação, inventário, limpeza, acondicionamento e transporte começou no dia 2 de Maio de 2007 e terminou no dia 28 de Janeiro de 2008, dia em que a ministra Isabel Pires de Lima saiu do Governo. Quase nove meses. Ainda pensámos que nos iam obrigar a levar tudo de volta", ironiza Alexandre Oliveira. "Ainda estamos a fazer o inventário e não vai acabar tão cedo."

Alexandre Oliveira recorda que das cinco áreas em que primordialmente o Museu de Arte Popular se dividia - Minho, Trás-os-Montes, Algarves, Beiras e Alentejo -, os objectos já só se encontravam concentrados, desde 1999, em duas das salas (Beiras e Alentejo). E o processo de recolha, na fase de mudança, foi organizado pelo tipo de material em causa: cerâmica, cestaria, mobiliário e objectos em madeira, metal, couro ou cortiça. "Esta sistematização permitiu uma uniformização das metodologias de limpeza e de expurgo. Mas para todos foi incluído, na ficha, a sua localização de origem", frisa o investigador. E sobre o valor do espólio, Alexandre remete para uma fase futura da tese: "Só o decurso da minha pesquisa permitirá equacionar fundamentadamente o valor do espólio."

Pronto para voltar a casa

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1. Acho muito importante a criação dum Museu da Lingua Portuguesa . E Lisboa dispõe de vários ...

LOPES CARLOS

13.07.2009 13:34

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