É um conjunto de dez curtas-metragens de apenas 10 minutos, com histórias entre o fantástico e o terror, preparadas para a multiplataforma, telemóvel, Internet e televisão. “O Dez”, estreia no portal do Sapo no próximo dia 1 de Março e na RTP a 13. Mas tudo começou em 2007.
Carlos Monteiro, argumentista, com a produção do Gato Fedorento versão SIC Radical no currículo, diz que o projecto que ontem à noite foi apresentado em Lisboa, no Fórum Telecom, é uma ideia original sua, a par com mais dois colegas, João Mota e André Brás, que nasceu em 2005. Mas chegou a envolver uma centena de nomes e estende-se desde 2007.
Dez moedas, dez mulheres que as encontraram. E dez histórias que daqui nascem com muito suspense. É preciso recuar ao tempo de Viriato para contar toda a história, conta um dos mentores da ideia Carlos Monteiro: “A ideia nasce de uma lenda de Oliveira do Hospital, a lenda das dez, que fala de uma gruta onde dez mulheres terão encontrado um tesouro de dez moedas.”
Conta a história que as moedas da lenda seriam as dez moedas pagas ao traidor Minuros pelo general romano Cipião para matar Viriato. “O Dez” parte da lenda para trazer as moedas malditas até aos nossos dias.
“Chegamos a ter 100 pessoas no projecto, que tinha como objectivo juntar dez histórias de dez minutos numa longa metragem de cem”, conta Carlos Monteiro. “Uma delas, ‘zombie’, foi escrita por Nuno Markl e Filipe Homem Fonseca”, acrescenta.
A ideia levou à construção do site odez.net, ainda hoje disponível e à apresentação de uma versão Beta do projecto, conta Carlos, com estreia online em Março de 2007: “Fizemos tudo a custo zero. Contamos até com o Zé Pedro Gomes, entre outros actores”, lembra o criador.
Mas, para além da versão beta, os autores de “O Dez”, quiseram ir mais longe. Foi então que surgiu a StopLine Films de Leonel Vieira, que hoje assina a versão final deste “O Dez” que será a primeira série portuguesa multiplataforma, com estria marcada no SAPO e na RTP. E que tem duas das dez curtas a concurso, já este fim-de-semana, no Fantasporto.
“Ligámos para a StopLine, sentamos-nos à mesa e falamos”, conta Carlos Monteiro. Contrato assinado com os jovens criadores, Leonel Vieira contou ontem como prometeu arranjar o dinheiro que faltava para levar “O Dez” mais longe. E cumpriu.
“O projecto veio de um grupo de jovens visionários e criativos que não conseguiam encontrar o financiamento”, disse Leonel Vieira na apresentação. Mas os nomes de Carlos Monteiro, João Mota ou André Brás, ficaram por nomear. Carlos Monteiro ainda se tentou levantar para apresentar os autores da ideia: “Sentado, sentado, de joelhos não!”, respondeu Leonel Vieira perante a audiência que esperava pela ante-estreia.
Filipe Homem Fonseca, argumentista das Produções Fictícias não escondia a indignação: “Isto foi uma vergonha”.
Com elenco de luxo que conta com António Cordeiro, Carla Chambel, Albano Jerónimo, São José Correia ou Ivo Canelas, “O Dez” toca em produtos de culto na área do terror/suspense como “Saw”, de James Wan, que já vai na sexta edição desde que nasceu em 2004. E que, por curiosidade, também nasceu como um projecto de baixo orçamento, tal como “O dez” é apresentado. E filmado em tempo recorde de 18 dias. “O Dez” foi filmado em quatro semanas.
Em “O barbeiro”, Carla Chambel é uma estudante de doutoramento que acaba às mãos de um arquivista sinistro. Em “Gnosis” Ivo Canelas é um escritor frustrado que sacrifica, sem saber, uma criança que o admira para conseguir vencer o bloqueio intelectual que não o deixa escrever. Todas as histórias de “O Dez” têm um ponto em comum: as moedas malditas que levaram Viriato à morte.
“Leonel Vieira não esconde um certo orgulho com o produto final. “Mostrei isto a uma produtora que trabalha com Jean Luc Besson em Cannes e ela disse-me: Ah Leonel, isto parece uma coisa da Fox!’”.
Carlos Monteiro, apesar de tudo, também gosta do produto final: “Queremos continuar, nem que seja com um ‘Onze’. A nossa ideia era fazer história”.



