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Cortes na Cultura

“O cinema português está no limiar da sobrevivência”, diz Margarida Gil

25.06.2010 - 18:23 Por Sérgio C. Andrade

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Preocupação relativamente aos cortes anunciados e crítica à falta de diálogo e de informação sobre o que se está a preparar e o que se vai passar são as notas dominantes, nos meios do cinema, das reacções à entrevista da ministra da Cultura e ao anúncio de cortes neste sector.

Margarida Gil, realizadora e presidente da Associação Portuguesa de Realizadores (APR), reage com preocupação aos anunciados cortes na Cultura. “Vivemos um período muito perigoso, e esta é uma estratégia de corte que vem de trás”, diz a realizadora de “O Anjo da Guarda”, fazendo notar que esta “operação de putschismo” relativamente ao cinema já vem de 2004. E acusa a ministra de falta de diálogo com os realizadores, referindo que a APR lhe apresentou um completo dossier sobre a situação do cinema português, sem que Gabriela Canavilhas tivesse depois feito qualquer eco ou mostrado “qualquer interesse” em ouvir os realizadores sobre o futuro.

Margarida Gil diz que “o cinema português está já no limiar da sobrevivência”, e envolve muita gente que se encontra “sem trabalho nem perspectivas”. Considera que, com as medidas agora anunciadas, a ministra está a “tapar os horizontes deles com a maior das friezas”. “Não pode haver um país sem cultura e com ela a ser tratada desta maneira”.

A presidente da APR acredita, no entanto, que as pessoas irão “unir-se e reagir”, e isso deverá ser mostrado já na próxima segunda-feira, dia para quer foi convocada uma reunião aberta a todos os profissionais do cinema, em Lisboa.

Também Tino Navarro, presidente da Associação de Produtores de Cinema (APC), vê os cortes anunciados como extremamente “penalizadores” da actividade cinematográfica, e por isso manifesta “muita preocupação”. Mas o produtor considera que é preciso saber em que moldes é que vai ser feita a aplicação desses cortes e restrições no domínio do cinema. É isso que a APC espera ver esclarecido numa reunião já agendada para a próxima terça-feira com o presidente do ICA - Instituto do Cinema e do Audiovisual, José Pedro Ribeiro. Só depois desse encontro, a associação irá tomar uma posição clara sobre a situação.

O realizador e produtor António Ferreira, de Coimbra, vê “sem surpresa” o anúncio dos cortes na Cultura. “Estamos em crise, não vejo por que é que a Cultura iria ser excepção”, admite o realizador de “Embargo” (filme adaptado de um livro de José Saramago, e que tem estreia nacional agendada para 30 de Setembro). “Mas eu gostava era de ouvir falar na criação de uma nova Lei do Cinema que fosse um verdadeiro modelo de sustentabilidade e de autonomia para o sector, para que ele se liberte em definitivo da subsídio-dependência”, acrescenta António Ferreira, que considera prioritário alterar também a Lei do Mecenato, para criar mecanismos que favoreçam o investimento privado no cinema, e também na Cultura em geral, que “está no limite do viável”.

A uma semana do início da 18ª edição do festival Curtas Vila do Conde, Dario Oliveira, um dos membros da direcção, diz que esta estratégia de cortes generalizados é “uma forma perversa” de resolver a crise. “Que se corte na verba de aquisições para a Colecção Berardo e em muitos outros maus negócios que o Estado vem fazendo nos últimos anos, muito bem. Mas não nas condições de trabalho dos artistas e dos agentes culturais”, diz Dario Oliveira.

O programador critica Gabriela Canavilhas por aceitar esta forma de “operacionalizar as decisões do Governo” sacrificando, uma vez mais, “de forma cega”, o sector da Cultura. Relativamente ao festival de Vila do Conde e a outros festivais do país, Dario Oliveira diz que estes cortes “são injustos” e, utilizando uma linguagem futebolística, considera-os também “uma rasteira e uma atitude de muito mau tom”, porque significam “mudar as regras a meio do jogo”, algo que “ninguém pode aceitar”. Isto significa, na sua opinião, comprometer a possibilidade de realização de muitos festivais e também de produções cinematográficas que serão cortadas, e mesmo paradas a meio.

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Comentário + votado

Façam filmes que se percebam...

Correndo o risco de ser chacinado por alguns pseudo-artistas deste país, que passam mais tempo ...

Raposo

26.06.2010 11:50

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