De 11 a 13 de Julho no CCB

Novo festival de música portuguesa apresenta 48 compositores em três dias

04.06.2008 - 12:41

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Pedro Carneiro é uma das apostas do festival Pedro Carneiro é uma das apostas do festival (Nuno Ferreira Santos( arquivo))
Chama-se "Música Portuguesa, Hoje" e a primeira edição é já em Julho. O presidente do CCB, António Mega Ferreira, não esconde a ambição deste festival, que reúne música clássica, contemporânea, jazz, música improvisada e electrónica

No princípio era apenas um dia dedicado à música portuguesa. Mas a ideia acabou por ganhar a dimensão de um festival, a decorrer no fim-de-semana de 11, 12 e 13 de Julho deste ano. Chama-se "Música Portuguesa, Hoje" e foi ontem apresentado no Centro Cultural de Belém (CCB) pelo presidente da instituição, António Mega Ferreira, e pelos comissários António Pinho Vargas, Pedro Santos e Rodrigo Amado. "São uns mini-Estados Gerais da música portuguesa. "Mini"...", disse Mega na conferência de imprensa de apresentação do novo festival, não elevando demasiado as expectativas. Mas o presidente não conseguiu esconder o seu entusiasmo, nem deixar de assumir a ambição do projecto.

Esta iniciativa inédita quer, segundo Mega Ferreira, "apresentar as melhores propostas actuais da música portuguesa", juntando músicos e criadores de diferentes áreas. António Pinho Vargas, comissário responsável pela "música de tradição escrita", como ele prefere chamar à "música erudita", fez questão de assinalar "o mérito" de Mega Ferreira em ter "conseguido juntar numa ideia única a música de tradição escrita e as várias de tradição oral". Para a parte que lhe competia programar, Pinho Vargas optou por seguir os critérios de "máxima diversidade e máxima inclusão", considerando inédito um festival com estas características. "São 48 compositores em três dias. Nunca houve uma iniciativa que juntasse tantas obras e tantos compositores em tão pouco tempo", disse o compositor e membro da Orchestrutopica. Este grupo de música contemporânea residente no CCB fará dois concertos ("em direcção ao futuro" e "vários caminhos") com obras que pretendem acentuar "a pluralidade e a diversidade das práticas dos compositores portugueses das últimas décadas", como se pode ler num dos programas.

Contaminações

Na área da música popular e do jazz, os comissários Pedro Santos e Rodrigo Amado apostaram numa programação "o mais ecléctica possível", como disse Santos, que se dedica à edição e divulgação da música electrónica. Estarão no festival Música Portuguesa, Hoje alguns nomes "incontornáveis" (na expressão de Rodrigo Amado) como Camané, Mário Laginha, Bernardo Sassetti e Carlos Bica (que tocarão em conjunto num concerto). "Uma das palavras-chave do festival é "contaminação"", diz Pedro Santos, "e por isso desafiámos músicos para fazerem concertos com artistas de outras áreas." A contaminação pretende estender-se ao público. Por isso o preço dos bilhetes é de 5 euros para cada um dos concertos.

Rodrigo Amado diz que o festival deve ser "o reflexo do que se melhor se faz por aí". No programa encontram-se nomes como Ricardo Rocha (guitarra portuguesa), o grupo LUME (Lisbon Underground Music Ensemble), o pianista João Paulo (com Peter Epstein e Ricardo Dias), os quintetos de Ernesto Rodrigues e Sei Miguel (ambos nas margens do jazz e da música improvisada), a Orquestra Jazz de Matosinhos, Rafael Toral, o próprio comissário Rodrigo Amado, que pegará no saxofone (com a companhia de Kent Kessler e Nilssen-Love), e ainda Nuno Rebelo com Marco Franco, Carlos Zíngaro com John Butcher e Gunter Muller, e o quarteto de um jovem guitarrista que tem sido muito elogiado pela crítica de jazz, André Fernandes (com Mário Laginha, Nélson Cascais e Alexandre Frazão). No campo da música de tradição escrita, o acento não é posto nos intérpretes, salvo uma excepção - o concerto em que as estrelas são os jovens intérpretes portugueses Marco Pereira, David Silva, Edelvina Materula, Inês Mendes, Evandra Gonçalves e Ana Queiroz.

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