The Gossip

Music For Men

09.07.2009 - 09:46 Por Mário Lopes, PÚBLICO, Sony Music

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Com "Standing in the way of control", mais o single que o álbum, com a lésbica, obesa e politicamente empenhada Beth Ditto erguida a ícone pop contemporânea, as Gossip tornaram-se uma banda reconhecida bem para além do "underground" em que se formaram. Depois disso, três anos de digressões, a contratação por uma multinacional, a Sony, e a gravação com Rick Rubin, o produtor-guru que parece incapaz de se sair mal, qualquer que seja a natureza daquilo em que mete as mãos. Eis-nos então perante "Music For Men", o quarto álbum das Gossip, o primeiro pós-estrelato.

Ponto a favor, nada mudou drasticamente: a secção rítmica continua a fazer tangentes ao funk, via pós-punk e DFA, as guitarras são utilizadas como refúgio de rugosidade eléctrica, a voz de Beth Ditto continua magnífica como antes, qual riot-grrrl que apreendeu o poder da soul. Ponto contra: aquilo que era evidente antes continua-o agora: falta às Gossip a capacidade para serem memoráveis, para comporem canções que sejam mais que demonstração de bom gosto e rastilho para concertos inflamados. Neste "Music For Men" onde completam a transição definitiva de banda de garage, como o eram em "Movement", o segundo álbum, para híbrido rock'n'roll/pista de dança, existe uma "Heavy cross", primeiro single, que tenta claramente ser sequela de "Standing in the way of control" - e gostamos dela, mas soa a esforço demasiado consciente e gostaríamos mais sem a sombra que a acompanha -, existem baixos serpenteantes e percussões em "Men in love" (uma versão pop dos !!!) e citações de Marvin Gaye numa "Love long distance" que ouvimos como boa recriação, em baixo, bateria e guitarra, de um êxito house da década de 1990 (os pianos, o bombo a marcar o ritmo e Ditto a referir o mestre: "I heard it through the bassline / Not much longer would you be my baby"). Ali, começa a tornar-se evidente a diferença de "Music For Men" quanto ao seu antecessor. Porque se é verdade que a estrutura e personalidade das canções se mantêm inalteradas, é-o também que as Gossip arranjaram novos trapos com que as vestir. Venham sintetizadores e percussões, venham palmas sintetizadas e o ambiente de clube, venham até os Depeche Mode que ouvimos algo deles na marca sintetizada de "Four letter word". Tudo relativamente interessante e empolgante em fogachos. O que lhes falta, como sempre lhes faltou, é o golpe de asa que torne tudo isto - a música, as proclamações de Beth Ditto - mais que meramente funcional. Nada de trágico. Afinal, as Gossip são banda de singles e, como sabemos, essa é condição com digníssimo estatuto na história da música popular urbana.

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