Museu Episcopal de Beja revela tesouros ocultos de igrejas e antigos conventos

20.11.2006 - 15:17 Por Lusa
Tesouros ocultos de igrejas e antigos conventos de Beja dão corpo à primeira exposição do Museu Episcopal da cidade, que vai ser inaugurado hoje.
O museu integra a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, considerada um dos mais belos templos barrocos do Sul do país, que reabre ao público após 20 anos.
O director do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, José António Falcão, explicou hoje à agência Lusa que "o museu inclui o acervo próprio da igreja e uma casa anexa, que irá receber exposições temporárias".
Desta forma, continuou, o museu pretende devolver ao público a igreja, além de "estudar, preservar e revelar o património das igrejas e dos antigos conventos e casas religiosas de Beja".
Alguns tesouros ocultos deste património compõem o espólio da primeira exposição temporária do museu, Nas Asas da Aurora, que revela objectos devocionais, alfaias litúrgicas, pinturas e esculturas. Entre os objectos devocionais, que agora vêm à luz do dia pela primeira vez, encontra-se um conjunto "extraordinário e raro" de instrumentos que eram utilizados para penitência e auto-mortificação nas antigas casas religiosas femininas de Beja, recentemente inventariado.
Neste conjunto de instrumentos, dos séculos XVIII e XIX, José António Falcão destacou um cilício de linho, cintos e colares com pontas de arame e látegos (chicotes) ou açoites de cânhamo e de ferro.
Uma pequena cruz de madeira com puas de ferro, do início do século XX, que servia para colocar sob os joelhos ou pés, é outro dos "impressionantes documentos de uma época profundamente marcada pela vivência mística".
Do espólio da exposição, o responsável destacou ainda peças de igrejas que "surpreendem pela beleza e pelo esplendor", como as insígnias de antigos bispos e a imagem de São Pedro, de Joaquim Machado de Castro, que pertencia à ermida com o mesmo nome, situada nos arredores de Beja. O retrato no leito da morte de Soror Perpétua da Luz, uma monja iluminada que viveu no convento da Esperança, é outra das peças, que "impressiona pela austeridade".
A cerimónia de inauguração do museu e reabertura da igreja, agendada para as 17h30, vai ser presidida pela ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, no âmbito da iniciativa Cultura Presente, que se prolonga até quarta-feira no Baixo Alentejo.


