Depois da famosa pirâmide de cristal, o Museu do Louvre, em Paris, prepara-se para inaugurar um novo espaço, o departamento de arte islâmica, que se vai também destacar pela sua arquitectura. Com inauguração prevista para o Verão, o novo espaço já tem forma e também será de vidro e cristal, de onde se destaca o telhado ondulado, já apelidado de véu.
O novo edifício, dividido em dois andares, com uma área de 4600 metros quadrados, uma das maiores construções do museu depois da pirâmide, uma marca do Louvre há já 20 anos, está a ser construído no pátio interno do museu, conhecido como Largo Visconti, e albergará mais de 18 mil obras de arte, muitas delas inéditas. A obra só foi possível através da escavação do subsolo, que permitiu ganhar mais 15 metros de altura.
Esta semana foi apresentada à imprensa a evolução da construção, que já permite conhecer a forma do edifício.
“Quisemos construir um ligeiro véu, como se estivesse sustentado pelo vento, um véu elegante e poético que filtre a luz e ao mesmo tempo permita ver as fachadas históricas do largo Visconti”, explicou aos jornalistas, citado pelo El País, o arquitecto italiano Mario Bellini, que assina o projecto com o francês Ruddy Ricciotti.
Para o presidente do Museu do Louvre, Henri Loyrette, esta nova construção “é um elegante equilíbrio entre o neoclassicismo do século XVII [estilo arquitectónico do Largo Visconti] e a evocação das artes do Islão”.
À BBC, Mario Bellini explicou que a construção do novo edifício foi um grande desafio, devido à sua complexidade. Os arquitectos quiseram criar um espaço no Louvre que não se confundisse com os departamentos já existentes e que marcasse a diferença e se identificasse com a arte islâmica. Foi a pensar nisto, que cobriram o telhado com metal dourado a lembrar a seda, muito característica dos países islâmicos.
O Museu do Louvre tem uma das melhores colecções do mundo de arte islâmica e poderá agora expô-la devidamente neste novo departamento, o que até aqui não acontecia por falta de espaço. Assim, no verão quando o edifício for inaugurado, muitas das peças e obras de arte, de vários lugares do mundo e datadas entre os séculos VII e XIX, estarão expostas pela primeira vez.
Na apresentação do telhado, a última fase antes da inauguração depois de seis anos de obras, o presidente do Louvre destacou que esta exposição é única, devido à diversidade geográfica das obras, ao período da história coberto e à multiplicidade de matérias e técnicas representadas, permitindo mostrar a importância das civilizações islâmicas na nossa cultura.
“Trata-se de apresentar a faceta luminosa desta civilização que englobou no seu interior uma humanidade infinitamente rica e variada”, acrescentou Henri Loyrette.
A ideia de criar um espaço próprio para a arte islâmica partiu do então Presidente francês Jacques Chirac em 2002, mas foi Nicolas Sarkozy quem colocou a primeira pedra no verão de 2008.
Esta construção custou ao Louvre 98,5 milhões de euros, dos quais ainda faltam pagar 10 milhões, mas Henri Loyrette não se mostrou preocupado, esperando encontrar alguns mecenas que possam cobrir este dinheiro.



