Desenhista tinha 89 anos

Morreu Jerry Robinson, co-criador de Robin e Joker

09.12.2011 - 20:39 Por Hugo Torres

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Jerry Robinson foi recrutado por Bob Kane, autor de Batman, quando tinha apenas 17 anos Jerry Robinson foi recrutado por Bob Kane, autor de Batman, quando tinha apenas 17 anos (DR)
O imaginário de Batman não seria o mesmo sem Jerry Robinson. Foi ele quem deu um parceiro ao vigilante de Gotham City, Robin, nos idos de 1940. Mas fica na história por ter contribuído para a criação de um dos vilões mais marcantes da banda desenhada e do cinema – Joker. O desenhista morreu nesta quarta-feira. Tinha 89 anos.

Jerry Robinson chegou à equipa liderada pelo desenhista e escritor Bob Kane que, em 1939, tinha acabado de estrear Batman no número 27 da Detective Comics. Robinson tinha 17 anos e foi recrutado após um encontro fortuito com o próprio Kane, durante as férias que antecipavam a sua ida para a universidade, para estudar jornalismo.

Bob Kane, sete anos mais velho, ficou surpreendido com o casaco que o então adolescente envergava, coberto de desenhos que Robinson anunciou serem de sua autoria. Kane mostrou-lhe a primeira história de Batman e ofereceu-lhe um emprego. Robinson não se impressionou com a banda desenhada; com o emprego, sim.

Seguiu de imediato para Nova Iorque, onde começou a trabalhar como arte-finalista e a fazer legendagem, a apoiar os artistas mais experientes. Em menos de um ano, o seu talento de desenhista e criador de personagens impuseram-no como um dos elementos-chave da equipa. Tanto que foi fundamental na criação de duas das principais personagens do comic.

Robin, o parceiro de Batman, surgiu na Detective Comics #38, de Abril de 1940. Jerry Robinson é oficialmente creditado como co-criador da personagem, à qual deu nome (em homenagem a Robin Hood) e fato de acção (inspirado numa ilustração de 1910, de N. C. Wyeth). A referência a Bob Kake e Bill Finger, o escritor original de Batman, no nascimento de Robin é quase uma formalidade.

A origem de Joker, o arqui-inimigo de Batman, já não é tão pacífica. Bob Kane, que morreu em 1998, aos 83 anos, reclamou para si e para Finger a autoria da personagem. Os historiadores de banda desenhada estão, no entanto, do lado de Robinson. Este encolhia os ombros e, no ano passado, chegou a contar ao The New York Times o processo criativo que conduziu ao vilão: “O nome surgiu primeiro: o Joker, Depois, pensei na carta de baralho”. (Nesta altura, o diário norte-americano lembra que os pais de Robinson jogavam bridge.)

Joker passou por diversas fases ao longo das décadas desde então, afirmando-se como personagem incontornável, tanto na banda desenhada como na televisão e no cinema. Aqui, as interpretações de Jack Nicholson (Batman, 1989) e Heath Ledger (O Cavaleiro das Trevas, 2008), esta última distinguida com um Óscar, reflectem essa metamorfose sofrida pela personagem desde a sua criação – ora mais dada à comédia e ao absurdo, ora mais dada ao caos. A exuberância da personagem e a gargalhada alucinada mantiveram-se desde o original.

Jerry Robinson deixou a equipa de Batman ainda no início da década de 1940 – e construiu uma carreira que culminou, em 2004, com a entrada no Comic Book Hall of Fame. Robinson criou mais tarde Atoman e, em 1953, deu início à sua colaboração diária no The New York Herald Tribune, com a tira de ficção-cientítica Jet Scott. Durante os anos 1960, colaborou com a revista Playbill e presidiu, no final da década, à National Cartoonists Society.

Com preocupações políticas e ambientais muitas vezes patentes no seu trabalho, Jerry Robinson foi ainda um activo defensor dos companheiros de profissão. A sua intervenção mais famosa aconteceu no contencioso que colocava frente-a-frente a DC Comics e os criadores de Superman, Jerry Siegel e Joe Shuster, numa prolongada batalha por direitos de autor, na qual a empresa acabou por ceder.

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