Gary Shider morreu ontem aos 56 anos. Era o guitarrista ritmo dos Funkadelic e dos Parliament, as bandas fundadas por George Clinton que, na década de 1970, marcaram decisivamente a história do funk.
Deram-lhe a alcunha de “Starchild” e deram-lhe também a de “Diaperman” [“homem-fralda”], em referência, precisamente, às fraldas que usava em palco. Estivesse Gary Shider em qualquer outra banda e a extravagância seria suficiente para que se destacasse dos demais. Acontece que o guitarrista pertencia aos Funkadelic, a banda liderada por George Clinton que marcou a década de 1970 com uma fusão futurista de funk, rock’n’roll e psicadelismo, e pertencia aos Parliament, banda paralela aos Funkadelic que, totalmente concentrada no ritmo, no “groove”, definiu o chamado “P-funk”, influência marcante para toda a música de dança das décadas seguintes.
Gary Shider, 56 anos, morreu ontem em Maryland, nos Estados Unidos, vítima de um cancro no cérebro e pulmões diagnosticado em Março. Membro permanente dos Funkadelic desde “Maggot Brain”, o terceiro álbum da banda, editado em 1971, e dos Parliament desde “Up For The Down Stroke”, o segundo, Shider era um dos compositores e vocalistas de ambas, para além de assumir as funções de guitarrista ritmo e director musical – a sua voz ouve-se, por exemplo, no clássico “One nation under a groove”, dos Funkadelic.
Mais discreto que George Clinton, que o guitarrista Eddie Hazel ou que o baixista Bootsy Collins, que antes de patentear os famosos óculos escuros em forma de estrela aperfeiçoara o “groove” nos JB’s (banda suporte de James Brown), Gary Shider foi um músico vital na história de Funkadelic e Parliament e, consequentemente, na história da música negra norte-americana.
Desde a sua chegada em 1971, esteve presente em todos os discos das duas bandas, que partilhavam os mesmos elementos mas seguiam diferentes direcções musicais (os Funkadelic mais experimentais, os Parliament apontando à pista de dança).
Certa vez, perguntaram-lhe o que levava um homem adulto a usar fraldas. “Deus ama bebés e loucos. Eu sou ambos”, respondeu.



