Budd Schulberg faleceu esta quarta-feira, em Nova Iorque, aos 95 anos. O argumentista ganhou o Óscar de Melhor Argumento em 1954, com o filme “Há Lodo No Cais”, protagonizado por Marlon Brando.
Schulberg nasceu em Nova Iorque em Março de 1914. Desde cedo começou a movimentar-se no mundo do cinema. Quando completou sete anos, a sua família mudou-se para a costa Oeste dos Estados Unidos e o seu pai passou a dirigir os estúdios Paramount. Nesta altura, brincava ainda com os filhos de magnatas e grandes estrelas de cinema; depois, passou por departamentos de publicidade. Só mais tarde, já quando o pai entrava na ruína e a sua mãe se tornava numa bem-sucedida representante de actores, Schulberg conseguiu completar a sua educação e dedicar-se à escrita de argumentos e de livros.
Escreveu vários livros, entre os quais “Por que corre Sammy?” (1941) – que o levou a ser expulso de Hollywood – e “O Desencantado”, dez anos depois. Foi membro activo do Sindicato dos Argumentistas, desde a sua fundação, chegando a pertencer ao Partido Comunista nos anos sessenta, que abandonou descontente, tanto com os seus dirigentes na América como com os homicídios ordenados por Estaline na União Soviética.
Em 1954, já de volta a Hollywood (graças a denúncias que fez no tempo da Caça às Bruxas), ganhou o Óscar de Melhor Argumento com o filme “Há Lodo No Cais”, protagonizado por Marlon Brando. Foi considerado o melhor filme do ano, arrecadando oito estatuetas douradas.
De tanto escrever sobre o seu desporto predilecto, o boxe, o seu nome acabaria por ser incluído, em 2003, no Salão da Fama do Boxe Internacional.
Schulberg, considerado “um príncipe de Hollywood”, foi um dos mais controversos e carismáticos argumentistas da América.


