Mercado da arte português em queda é sustentado por privados e vendas médias

29.10.2010 - 10:38 Por Cláudia Carvalho
Apesar das salas de leilões de arte cheias, com a crise, as vendas diminuíram e, com elas, desceu o valor a que as peças são arrematadas; já as obras mais valiosas de artistas reconhecidos não chegam sequer a ser licitadas, mesmo quando têm qualidade para estar num museu. É o retrato breve de um sector cada vez mais sustentado por privados.
Segundo Luís Castelo Lopes, administrador da Palácio do Correio Velho, "cerca de 70 por cento das obras postas em leilão vêm de privados" assim como os privados "constituem cerca de 90 a 95 por cento dos compradores". Os galeristas são uma minoria e os museus já não fazem parte das contas. "Os museus não têm dinheiro para comprar nada", afirma, explicando que existem várias peças na leiloeira que podiam estar em museus, mas "não são compradas porque os museus não têm verbas nem para uma compra de 500 euros". A provar isto estão os resultados do leilão de arte moderna e contemporânea do próprio Palácio do Correio Velho, que, nos últimos dois dias, fez chegar ao mercado obras de vários artistas do século XX nacional e que viu ficar por vender as peças em que mais apostava.
Uma das esculturas em plexiglas de Lourdes de Castro dos anos 1960, por 60 mil euros, e um óleo de Joaquim Rodrigo, de 1988, por 50 mil, não tiveram compradores interessados. Pedro Lapa, antigo director do Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea, diz que "estas obras têm entrada em qualquer grande colecção de qualquer museu". O Museu do Chiado tem trabalhos destes artistas mas "não da altura destas e por isso era importante tê-las. O problema é que, neste momento, o poder dos museus para as comprar é nulo", sublinha. Por outro lado, Anísio Franco, especialista em leilões que aponta estas mesmas obras como "excepcionais", diz que a contracção do mercado é apenas parte da questão. Aponta uma eventual "falta de conhecimento" da parte dos privados actualmente a investir. Neste momento, em termos nacionais, quanto mais recente for a obra menos possibilidade tem de ser vendida, diz Castelo Lopes. O mercado "caiu num grande buraco".


