Vendas em leilão

Mercado da arte continua a crescer e está perto dos valores mais altos de sempre

16.02.2012 - 14:53 Por Cláudia Carvalho

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Leilão de um quadro de Monet no início de Fevereiro na Sotheby's em Londres Leilão de um quadro de Monet no início de Fevereiro na Sotheby's em Londres (AFP)
Se há sector que parece não sofrer com a actual crise financeira mundial é o mercado da arte, no qual o investimento, na sua maioria privado, continua a crescer, afirmando-se como um porto seguro em tempos de grande instabilidade financeira. Só esta semana em dois leilões de arte contemporânea a Christie’s e a Sotheby’s somaram em conjunto mais de 156 milhões de euros.

Entre terça e quarta-feira aconteceram em Londres dois leilões de arte contemporânea, nas leiloeiras que lideram o sector, a Christie’s e a Sotheby’s, que levaram à praça nomes como Francis Bacon, Andy Warhol, Roy Lichtenstein e Gerhard Richter. No final, a Chirstie’s facturou 96,1 milhões de euros e a Sotheby’s 60,7 milhões de euros. Cerca de 90% dos lotes foram vendidos em ambos os leilões, provando uma tendência crescente, sustentada por coleccionadores privados.

“Existe muito dinheiro por aí e não há, neste momento, muitos lugares para o investir. A crise financeira não a afectar verdadeiramente os super ricos, que são quem estão a comprar estas obras”, disso ao Financial Times Robert Read, responsável da seguradora especialista em arte Hiscox, lembrando os novos compradores, dos quais destaca os asiáticos.

No início de 2011, a Artprice.com, um dos sites mais importantes do sector de informação sobre o mercado da arte, analisou os números do mercado e concluiu que a China já era o país “número um, ultrapassando os EUA que ocupavam o primeiro lugar há quase meio século.

Factores como o crescimento económico da China, que já é a segunda potência mundial, e o apoio tanto governamental como privado ao mercado da arte, ajudam a explicar os números. Mas não foi só a China que se destacou em 2011. Meses depois deste estudo, o The Art Newspaper considerou o Qatar o maior comprador mundial de arte contemporânea, na qual já tinha então investido mais de 400 milhões de dólares (cerca de 277 milhões de euro).

Já este ano, o Qatar agitou o mercado da arte, quando no início de Fevereiro a Vanity Fair revelou que a família real tinha comprado o quadro “Os jogadores de cartas” de Paul Cézanne (1839-1906) por mais de 250 milhões de dólares (190 milhões de euros), o preço mais alto de sempre pago por uma obra de arte.

“O governo do Qatar está a dominar o mercado neste momento, uma vez que está a comprar obras para o novo museu nacional, e temos os gestores de fundos chineses que nos têm contactado porque querem incluir a arte nos seus fundos”, explicou ao Financial Times Philip Hoffman, director financeiro da Christie’s, acrescentando que ao mesmo tempo que estes países estão a crescer, existem cada vez menos clientes de países como a Grécia, a Espanha e a Arábia Saudita, “onde os investidores não estão seguros em relação às suas economias”.

Mas para Steven Murphy, director executivo da mesma leiloeira, “os coleccionadores estão a coleccionar mais”, explicando que para o crescimento do mercado da arte também contribuíram a globalização e a facilidade de acesso aos catálogos e aos leilões online.

Mas ao The Independent, Anthony McNerney, responsável da arte contemporânea na leiloeira Bonhams, mostrou-se preocupado com esta evolução, explicando que hoje os compradores estão mais interessados no valor da obra e de quanto poderá valer no futuro, sem saberem muitas vezes o que estão a comprar. “Quando há muitos anos comecei na Christie’s, os clientes perguntavam-me sobre o trabalho e o artista. A partir de finais de 2007, começaram a perguntar: “quanto é que isto me vai custar e quanto é que vai valer”, contou McNerney.

Para a conselheira de arte, Tania Buckrell, isto acontece porque actualmente existem muitos mais compradores no mercado da arte que olham para as obras como um investimento, e não como obras de arte ou com interesse de colecção.

De acordo com os resultados divulgados este mês, só em 2011 em leilões, a Christie’s somou 4,3 mil milhões de euros, mais 9% do que em 2010. Na Sotheby’s o valor de vendas do ano passado ainda não foi revelado, mas a leiloeira garante que registou um aumento de 14,5% em relação a 2010, sendo que o maior crescimento acontece na arte contemporânea, cujas vendas aumentaram 34%.

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Comentário + votado

mundo em crise

Mas o mundo não está em crise?! :)

Anónimo

16.02.2012 16:13

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