Sexo, sexo, sim, mas sobretudo a viagem interior de um sex addict. Impressionante. Uma "história de amor" entre um realizador e um actor que vai longe.
O realizador Philippe Garrel encontrou uma "cena inicial" para o plano de Monica Bellucci nua em Un Été Brûlant: L"Origine du Monde, de Gustave Courbet. Para Michael Fassbender de Shame, de Steve McQueen, propomos talvez Francis Bacon (como no Último Tango em Paris) ou O Grito, de Munch. Sobretudo para as sequências finais: para o sexo contra as paredes de vidro do Standard Hotel de Nova Iorque, EUA, por exemplo, o tal que pede aos clientes para se absterem de nudez com as cortinas abertas se não quiserem ser espectáculo de sexo ao vivo para o Meat Packing District a seus pés; ou para a distorção do mundo da personagem de Fassbender, um sexual addict que experimenta a intimidade, que grita de dor com essa confirmação da sua solidão na cidade do acesso fácil e do excesso.
Não há nada de obviamente "pictórico", no entanto, na segunda longa-metragem do "artista plástico" McQueen (em competição, aplausos e assobios no Festival de Veneza).
A sua força está, precisamente, em, depois do embate com a nudez explícita, encontrar nas imagens o tempo interior de uma personagem: um homem dos tempos modernos, sempre vestido de frios azuis e cinzentos, ferozmente avesso à dependência emocional e irremediavelmente dependente das pulsões do corpo. E da distância segura que a Internet e a one night stand permitem. Como se vivesse sexo para sacudir o risco de qualquer contacto.
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