O Manifesto contra o Acordo Ortográfico, disponível na Internet desde o passado dia 2, conseguiu mais de 33 mil assinaturas, que hoje foram entregues ao presidente da Assembleia da República, informou em comunicado o primeiro signatário do documento, Vasco Graça Moura.
Esta nova diligência dos signatários do documento - Manifesto em defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico, de seu nome completo - ocorreu na véspera do debate sobre o Acordo, agendado para amanhã, na Assembleia da República.
Além das assinaturas, refere o comunicado, foram também “entregues diversos pareceres e documentos que salientam e demonstram as fragilidades técnicas, científicas e políticas do Acordo” e uma lista de 154 personalidades “representativas dos meios académico, cultural e artístico” que assinaram a petição.
Entre os signatários figuram Álvaro Siza Vieira, António Lobo Antunes, Manuel Alegre, João Cutileiro, Miguel Sousa Tavares, Carlos Pinto Coelho, Joaquim Letria, Pedro Tamen, Gastão Cruz, Luísa Costa Gomes, Teolinda Gersão e José Gil.Os primeiros subscritores do Manifesto foram Ana Isabel Buescu, António Emiliano, António Lobo Xavier, Eduardo Lourenço, Helena Buescu, Jorge Morais Barbosa, José Pacheco Pereira, José da Silva Peneda, Laura Bulger, Luís Fagundes Duarte, Maria Alzira Seixo, Mário Cláudio, Miguel Veiga, Paulo Teixeira Pinto, Raul Miguel Rosado Fernandes, Vasco Graça Moura, Vítor Manuel Aguiar e Silva, Vitorino Barbosa de Magalhães Godinho e Zita Seabra.
O Manifesto aponta na reforma contida no Acordo "inúmeras imprecisões, erros e ambiguidades" e qualifica-a de "mal concebida", "desconchavada", "sem critério de rigor", "desnecessária" e "perniciosa". No documento, os peticionários lamentam também que no Acordo não tivessem sido levados em consideração os “pareceres científico e técnicos" como, por exemplo, o de Óscar Lopes e que se avance "atabalhoadamente sem consultar escritores, cientistas, historiadores e organizações de criação cultural e investigação científica".
"Recusamos - lê-se no documento - deixar-nos enredar em jogos de interesses, que nada leva a crer de proveito para a língua portuguesa. Para o desenvolvimento civilizacional por que os nossos povos anseiam é imperativa a formação de ampla base cultural (e não apenas a erradicação do analfabetismo), solidamente assente na herança que nos coube e construída segundo as linhas mestras do pensamento científico e dos valores da cidadania".
O Acordo Ortográfico, que visa unificar a escrita do português, foi alcançado em finais de 1990 e deveria ter entrado em vigor em 1994 mas apenas três dos Estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe - aprovaram quer o acordo quer os dois protocolos modificativos entretanto estabelecidos entre os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa.


