Louçã apela a Cavaco para esquecer “mesquinhez do passado” e estar no funeral de Saramago

20.06.2010 - 09:31 Por Lusa

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Já está confirmado que Cavaco Silva não estará no funeral do escritor Já está confirmado que Cavaco Silva não estará no funeral do escritor (Nuno Ferreira Santos)
O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, apelou ao Presidente da República, Cavaco Silva, para que se faça representar no funeral de José Saramago, esquecendo a “perseguição política” contra o escritor protagonizada por um Governo seu.

Num jantar comício realizado ontem em Portimão, Louçã considerou que Saramago “foi um homem de convicções e de literatura”, que fez dele uma referência cultural “universal”, e, por isso, o chefe de Estado deve deixar para trás o passado e estar nas cerimónias fúnebres. “Houve um Governo de Cavaco Silva e um secretário de Estado cujo nome o país não recorda que atacou a sua obra por perseguição política, e nessa altura, [Saramago] escolheu viver em Lanzarote, mantendo as suas pontes com Portugal”, lembrou Louçã.

O líder do Bloco afirmou que, “passado esse passado, o presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, não deve deixar nenhuma névoa que permita qualquer confusão com aquilo que foi a mesquinhez de atitudes do passado”, quando o seu Governo censurou um dos livros do prémio Nobel, o “Evangelho Segundo Jesus Cristo”.

“É preciso generosidade e o reconhecimento de que José Saramago, por cima de todas as diferenças, é uma figura para a cultura nacional, europeia e universal e por isso deve ser respeitado e homenageado no dia do seu enterro, em que nos despedimos dele, que é o dia amanhã [domingo]”, acrescentou Francisco Louça.

O líder do BE disse não querer crer que “a névoa do passado possa ainda marcar a posição de qualquer responsável político”, apesar do “percurso que foi a luta de José Saramago pelas suas convicções e pela literatura” que deixou.

“Por isso deixo aqui um apelo ao Presidente da República para que faça sentir a sua presença no respeito que o último dia de José Saramago merece entre nós e em que nós todos lá nos sentiremos representados”, apelou Louçã, sublinhando a importância literária e política do escritor.

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