Lisboa: exposição Utopia deu o tiro de partida para o PhotoEspaña 2008

29.05.2008 - 19:19 Por Sérgio B. Gomes
Durante os anos 50 e 60, a arquitectura acreditou que podia transformar o mundo num lugar melhor. Mas enganou-se e boa parte da fotografia contemporânea tem-se ocupado a registar essa falência programática. A exposição Utopia, que marcou hoje no Museu Colecção Berardo, em Lisboa, a abertura oficial do PhotoEspaña 2008 - XI Festival Internacional de Fotografia e Artes Visuais, reúne trabalhos de 10 artistas que dão conta do colapso, da ineficácia e da figura triste que muitos edifícios modernistas fazem hoje um pouco por todo mundo.
Hoje, durante uma visita guiada, o comissário britânico Paul Wombell falou numa exposição “melancólica e triste” porque as imagens apresentadas dão conta de uma realidade inadaptada e caricatural. “Aqui são mostrados edifícios construídos nos anos 50 e 60 que estão agora muito degradados ou foram demolidos, representando um sentimento de perda de uma arquitectura criada para fazer um mundo melhor”, explicou.
Sala a sala, Wombell foi desfiando as razões pelas quais escolheu os trabalhos de Mathieu Pernot, Frédéric Chaubin, John Riddy, Stuart Whipps, Alex Hartley, Gayle Chong Kwan, Wiebke Loeper, Arni Haraldsson, Tacita Dean e Amir Zaki. E falou ainda da oportunidade única de colocar em diálogo as fotografias destes autores com a exposição Le Corbusier – Arte da Arquitectura. “Esta exposição é uma mosca no nariz de Le Corbusier”, atirou o comissário. A metáfora serve para explicar o “incómodo” de ver no mesmo espaço a construção, pela arquitectura, e a desconstrução, pela fotografia, das utopias ligadas à arrumação das cidades e à edificação de espaços.
Por seu lado, Claude Bussac, directora do PhotoEspãna 2008, congratulou-se com o facto de Lisboa ser o palco da primeira exposição do festival deste ano, que decorre entre 4 de Junho e 27 de Julho em Madrid.
A exposição Utopia estará aberta ao público até 27 de Julho, no Museu Colecção Berardo, em Lisboa.

