A peça "Lira" para orquestra, uma encomenda do Festival de Música do Estoril ao compositor João Madureira, é interpretada amanhã em estreia no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, pela Orquestra Sinfónica Nacional da Ucrânia.
"Esta obra inspira-se na poética de Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner e Anna Hatherly", explicou o compositor aos jornalistas, aquando da apresentação do Festival em Julho.
"Trata-se de uma obra em três andamentos: o primeiro é um amanhecer musical que se desenvolve sobre a globalidade da poesia de Sophia, o segundo espero que transmita o vigor da obra de Torga e o terceiro, o anoitecer, faz jus à poetisa Ana Hatherly, que tem, aliás, um poema sobre a noite", precisou.
O compositor disse, ainda, estar muito contente "pela oportunidade de, pela primeira vez, trabalhar com uma orquestra sinfónica desta dimensão", para além "do prazer" que constitui fazer ligações entre a poesia e a música.
Do programa de amanhã fazem também parte a Rapsódia para piano e orquestra, de Rachmaninov, com o pianista António Rosado, e a Sinfonia nº4, de Tchaikovsky, sendo a orquestra ucraniana dirigida por Volodimir Sirenko.
Segundo Piñeiro Nagy, director do Festival do Estoril, a composição de João Madureira "dá continuidade ao projecto de encomendas a compositores portugueses, desta feita em parceria com o Barclays Bank".
A obra de Madureira insere-se na secção do Festival "Mare Nostrum", que privilegia as "transversalidades, fazendo referência às raízes comuns de uma cultura que se disseminou a partir do Mediterrâneo, dando a conhecer talentos desta zona de influência".
Para Nagy, "estes dois concertos repletos de simbolismo permitem erguer uma ponte entre o Mar Negro e o Mediterrâneo, pontificando o sentido do projecto Mare Nostrum, assente no encontro musical de culturas e tradições".


