Leya retira do mercado livro de autora francesa acusada de plágio por Felícia Cabrita

06.01.2012 - 19:11 Por Cláudia Carvalho
A editora Casa das Letras, do grupo Leya, está a retirar do mercado o livro “Mulheres de Ditadores”, da autora francesa Diane Ducret, que está a ser acusada pela jornalista Felícia Cabrita de plágio.
Esta medida surge depois de terem surgido na semana passada notícias de que Diane Ducret terá plagiado partes do livro “Os Amores de Salazar” (2006), editado pela Esfera dos Livros, e assinado pela jornalista Felícia Cabrita, que confirmou entretanto ao Sol, jornal para o qual escreve, que vai avançar com o caso para os tribunais.
Ao PÚBLICO, Marta Ramires, coordenadora editorial da Casa das Letras, explicou, via email, que a “Leya está a retirar do mercado os exemplares do livro em questão como medida preventiva até que sejam apurados todos os factos relativos a esta situação”.
Em causa estão semelhanças em algumas passagens do livro de Diane Ducret no capítulo que dedica a Salazar com a obra de Felícia Cabrita, sobre a vida íntima do ditador. No entanto, ao Sol a escritora francesa explicou que nunca escondeu que usou Felícia Cabrita como referência, dando-lhe o respectivo crédito no livro.
Estas semelhanças foram publicadas já em Dezembro no blogue Malomil, de António Araújo, professor de Direito da Universidade de Lisboa, que escreveu uma lista com vários exemplos retirados dos dois livros, com as respectivas páginas, onde se lê por exemplo que na página 104, a jornalista escreve “E ganhou a vida dançando nos Palaces e transatlânticos”. Já a francesa escreveu na página 167 do seu livro: “ganha assim a vida, apresentando-se em palácios e transatlânticos”.
Segundo a mesma explicação de Marta Ramires, “o respeito pelo Direito de Autor impõe que a Leya tome esta decisão independentemente da autora Felícia Cabrita pertencer ou não ao grupo [editorial]”.
Diane Ducret, natural de Anderlecht, realizou documentários históricos para a cadeia televisiva France 3 e, em 2009, moderou o "Le fórum de l'Histoire".
“Mulheres de Ditadores”, editado pelas Éditions Perrim, foi o seu primeiro livro e recebeu grandes elogios da crítica francesa, tornando-se num sucesso de vendas em França, estando já traduzido em 18 línguas, entre elas, o português.


