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Antropólogo faz esta semana 100 anos

Lévi-Strauss prestes a tornar-se o primeiro membro centenário da Academia Francesa

24.11.2008 - 10:18 Por Paulo Miguel Madeira

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Lévi-Strauss nasceu em 28 de Novembro de 1908 Lévi-Strauss nasceu em 28 de Novembro de 1908 (Paulo Ricca (arquivo))
É um dos grandes intelectuais franceses do século XX, lançou as bases da Antropologia moderna e cumpre cem anos na sexta-feira, dia 28. O filósofo-antropólogo Claude Lévi-Strauss torna-se assim o primeiro membro centenário da Academia Francesa, para onde entrou em 1973. Foi também um crítico do etnocentrismo e de algum modo um precursor intelectual do movimento ecologista.

Lévi-Strauss é um nome familiar a quem estudou na área das Ciências Sociais, onde as suas obras têm sido referência ao longo de gerações. É de algum modo um intelectual-vedeta global, sobretudo no meio científico, como a França produziu vários no século passado, daqueles que marcaram gerações.

Foi o primeiro antropólogo na Academia Francesa, a cujas sessões se deslocava regularmente até há não muitos anos. No entanto, duas quedas obrigaram-no a limitar os movimentos, conta a AFP a propósito da efeméride. Habita num edifício discreto na zona oeste de Paris e não se mostra inquieto com a posteridade nem escreveu memórias.

A celebridade chegou-lhe cedo e a sua memória não parece comprometida. Entre as homenagens agendadas, há uma jornada especial na sexta-feira no Museu do Quai Branly, em Paris, onde uma centena de personalidades vão ler os seus principais textos. O canal de televisão franco-alemão Arte vai dedicar-lhe uma emissão especial e há cerca de vinte títulos seus nas livrarias.

Filho de judeus franceses, nasceu na Bélgica, em 1908, mas mudou-se para França ainda em idade de estudar no liceu. Depois, na Sorbonne, em Paris, estudou Direito e Filosofia, tendo sido professor desta última disciplina no ensino secundário.
Em 1935 foi para o Brasil. Aceitou um lugar como professor de Sociologia na Universidade de São Paulo, onde começou a sua carreira de etnólogo. Naquela época, havia milhares de índios nos subúrbios da cidade, o que lhe permitiu dedicar os fins-de-semana à sua nova disciplina, conta o investigador José Pereira da Costa, da Universidade Nova de Lisboa, num artigo no PÚBLICO no 50.º aniversário da publicação de Tristes Trópicos.

Lévi-Strauss não se ficou pela investigação de proximidade. Partiu mais tarde para o Mato Grosso e a Amazónia, onde contactou muitas tribos. Mais tarde também estudaria índios norte-americanos, mas em menor número.

Em As Estruturas Elementares do Parentesco, sua primeira obra de grande projecção, publicada em 1949, forneceu um novo método de análise que se tornou comum a muitos antropólogos. A tese do livro é que o "parentesco" está no centro da Antropologia - que estuda o homem na sua dimensão social. E aqui o parentesco é entendido como as regras de aliança, de filiação, de residência ou de perpetuação das populações.

"A grande questão da Antropologia é a variação entre as diferentes culturas. Porque é que há culturas diferentes?", resume uma das antigas alunas de Lévi-Struss, Anne-Christine Taylor, especialista em culturas indígenas da Amazónia, citada pela AFP. "Ele trouxe um olhar novo a esta questão, partindo do postulado de que há uma ordem por trás das diferentes culturas", acrescenta.

A sua obra mais marcante, Tristes Trópicos, chegou em 1950. Trata-se de uma autobiografia intelectual que recebeu o Prémio Goncourt e teve êxito também junto de um público muito para além da comunidade científica. E, em 1958, Antropologia Estrutural abre o caminho ao estruturalismo, a nova corrente do pensamento de que foi o principal teorizador, aplicando ao conjunto dos factos humanos de natureza simbólica um método que procura as formas invariáveis existentes em conteúdos diferentes. No ano seguinte era titular da Antropologia Social no Collège de France, de onde se reformou em 1982.

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pequena homenagem

Deixo uma pequena homenagem a este grande homem, ao seu distanciamento da sociedade materialista e ...

João Moura

25.11.2008 10:25

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