Parece existir uma retoma do mercado da arte, mas ainda não chega para cumprir com as melhores expectativas. É essa uma das conclusões que se podem retirar de uma semana em que existiu uma forte agenda de leilões de arte e fotografia em Londres e Nova Iorque. É verdade que algumas obras bateram recordes, mas outras nem foram vendidas.
Na Sotheby’s, terça-feira, obras de Edouard Manet e André Derain bateram novos recordes em Londres, mas esperava-se mais. Um dos únicos auto-retratos (“Autoretrato com Paleta”) de Edouard Manet, foi arrematado por 27 milhões de euros, o que representa um novo recorde, em leilão, para o pintor impressionista francês, apesar de ter ficado abaixo da estimativa – 36 milhões de euros. O mesmo acontecendo com “Árvores em Collioure” de Derain, que atingiu um preço de 19, 6 milhões de euros, o preço mais alto já alcançado por um quadro do artista.
A responsável pelo departamento de arte impressionista e moderna da Sotheby’s, Melanie Clore, ficou satisfeita com os resultados – o leilão rendeu 135 milhões de euros – e falou da “recuperação do mercado da arte ao longo do último ano.” Parece uma avaliação correcta, mas ainda longe do que se espera, como tratou de demonstrar, no dia seguinte, outro importante leilão – o da Christie’s. “O Bebedor de Absinto”, um famoso quadro de Picasso que retrata o amigo da juventude Angel Fernandez de Soto, foi arrematado por 42,1 milhões de euros com as expectativas a apontarem para valores entre 33 e 44 milhões de euros. No mesmo leilão estava a pintura “Nympheas” de Monet, que se esperava fosse vendida entre os 33 e os 44 milhões de euros e que foi vendida pela licitação de 35 milhões de euros.
No mesmo leilão, uma pintura dos nenúfares de Monet nem sequer chegou a ser vendida, apesar de ter sido muito publicitada. O leilão da Christie’s encerrou com um valor total de 228 milhões de euros, não cumprindo no entanto as melhores expectativas - que apontavam para os 345 milhões de euros.
Anteontem, em Nova Iorque, foi a Sotheby’s que promoveu o leilão de fotografia da Polaroid Corporation que, no conjunto, chegou aos dez milhões de euros, com alguns artistas a ultrapassarem os seus valores recorde de venda em leilão. Foi o caso de Ansel Adams. A sua fotografia “Clearing winter storm, Yosemite National Park” atingiu os 586 mil euros.
Ninguém avança com explicações absolutas para a situação actual, mas os especialistas argumentam que é o sentido da realidade que está a marcar o mercado da arte. Ou seja, existe uma redução de confiança. Algum receio de especulação. Os potenciais compradores não se sentem aliciados a adquirir obras apenas porque estas são avaliadas em somas avultadas. O mercado emite sinais de que está mais forte do que estava, mas os coleccionadores estão mais resistentes aos preços praticados. Apesar disso, o mercado da arte parece estar mais sólido do que há meses, embora ainda não seja a retoma que todos anseiam.



