Colóquio no ISCTE

Leiloeiras portuguesas sofreram quebras de 40 por cento com a crise económica

26.03.2010 - 19:21 Por Alexandra Prado Coelho

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A arte contemporânea foi a mais afectada e houve um retorno à arte antiga, disseram leiloeiros reunidos hoje no ISCTE A arte contemporânea foi a mais afectada e houve um retorno à arte antiga, disseram leiloeiros reunidos hoje no ISCTE (Joana Bourgard)
O mercado leiloeiro em Portugal foi profundamente afectado pela crise económica, confirmaram hoje responsáveis de algumas das principais casas de leilões, num colóquio no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). “Até ao Verão de 2008 as coisas correram bem”, contou Miguel Cabral Moncada, da Cabral Moncada Leilões. “Mas [na segunda metade do ano] fomos apanhados completamente desprevenidos. As coisas modificaram-se brutalmente”.

O negócio da Cabral Moncada teve uma quebra de 40 por cento, exactamente a mesma percentagem de quebra que conheceu o mercado internacional, segundo Alexandra Fernandes, do ISCTE, que apresentou o projecto de investigação que acaba de lançar sobre o mercado leiloeiro português.

A leiloeira encerrou o ano de 2008 com uma facturação de cinco milhões de euros. E decidiu que em 2009 era preciso inverter a tendência. “Baixámos as bases de licitação, e assim conseguimos manter os preços de venda”. Os compradores aparecem, atraídos pelos preços de partida mais baixos, mas acabam por licitar alto.

O Palácio do Correio Velho, explicou o seu administrador Luís Castelo Lopes, conseguiu em 2009 ter a mesma facturação que no ano anterior, mas para isso teve que vender 25 por cento mais peças. Uma coisa foi clara: a arte contemporânea foi a mais afectada pela crise. “Quanto mais moderno maior o descalabro. Áreas mais antigas, que estavam ‘a dormir’ foram acordadas e começaram a vender-se peças do século XVII ou anteriores”.

Para as leiloeiras mais jovens a situação é ainda mais difícil. “Começámos em 2007. Não tem sido fácil”, admitiu João Pedro Duarte, da Aqueduto, que se lançou na actividade há quatro anos. “No primeiro ano fizemos três milhões de euros, com três mil lotes vendidos, no segundo fizemos dois milhões, e em 2009 a facturação não chegou a um milhão, com quatro mil e tal lotes vendidos”.

A Sala Branca, que quando surgiu em 2008 apareceu como especializada em arte contemporânea, teve uma experiência semelhante: um “primeiro leilão fantástico” (1500 mil euros), uma “queda acentuada no segundo” (500 mil euros) e no terceiro, e uma pequena recuperação em 2009, revelou Pedro Mesquita da Cunha. “Sentimos também um retorno a valores tradicionais, aos artistas da geração de transição do século XIX para o século XX”.

Mas a maior queixa de todos os leiloeiros presentes no colóquio é a ausência de galeristas e antiquários dos leilões. “Sinto a falta dos comerciantes. Leilões sem comerciantes não existem em parte nenhuma do mundo”, disse João Pedro Duarte. “Os comerciantes são vitais”, concordou Cabral Moncada. “Antiquários e galeristas são o coração do sistema. Em Portugal, a diminuição do poder dos antiquários e dos galeristas é uma das causas da queda do mercado de leilões”. E garante que isso é visível no número de lugares vazios nos leilões. “Chegávamos a ter 30 a 40 por cento de comerciantes na sala. Agora temos dois ou três”.

Para as leiloeiras, os galeristas deviam estar nos leilões a defender a cotação dos seus artistas. A visão dos galeristas é oposta. “São dois tipos de trabalho completamente diferentes”, explica ao PÚBLICO, Pedro Cera, da Associação Portuguesa de Galerias de Arte. “Nós temos as carreiras dos nossos artistas para gerir. Não faz parte das nossas preocupações ir defender cotações. O mercado tem que funcionar por si mesmo. Se não estamos a falseá-lo”. Além disso, acrescenta, “não vão muitas obras a leilão de artistas representados pelas melhores galerias portuguesas”.

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o dinheiro é que move as nossas almas

epá encomendem um estudo sociologico da coisa, que eles tambem precisam de ter emprego

Anónimo

27.03.2010 08:05

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