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Lady Gaga: Se isto é uma estrela

19.04.2010 - 09:12

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"Ela quer ser louca, fazer statements, criar arte", diz o fotógrafo David LaChapelle "Ela quer ser louca, fazer statements, criar arte", diz o fotógrafo David LaChapelle (Simone Cecchetti/Corbis/VMi)
Sempre soubemos, mas decidimos ignorar: as celebridades tornaram-se muito chatas. Não Lady Gaga: ela é toda humor e brincadeira, provocando acontecimentos surreais para nosso gozo diário. Esta é a história da criação - voraz e acidental - do maior fenómeno pop dos nossos tempos. Chega para lá, Madonna.Vanessa Grigoriadis/Exclusivo PÚBLICO/New York Magazine

Há exactamente um ano, Lady Gaga chegou ao átrio sombrio do Hotel Roosevelt, uma relíquia pomposa de estilo espanhol na zona turística de Hollywood, para uma entrevista. Just dance, o single de avanço do seu primeiro álbum, The Fame, tinha atingido o primeiro lugar do top na Austrália, Suécia e Canadá no início de 2008, mas em Março de 2009 ela ainda era uma pretendente a artista na América: tinha uns quantos milhares de ouvintes no MySpace, uma página de Internet genérica, e uma curta digressão como suporte dos New Kids on the Block.

Contudo, Gaga tinha um vídeo. "Os meus colegas que trabalham com as rádios nesses três países concordaram em apoiá-la se eu fizesse um videoclip", diz Martin Kierszenbaum, o presidente do A&R (Artistas & Reportório) da Interscope, a editora dela. O vídeo de Just dance, filmado a poucos quilómetros do Roosevelt, mostra Gaga cantando e dançando com uma bola de espelhos na mão enquanto os seus amigos relaxam num sofá ao lado - embora quase todos fossem figurantes, não amigos a sério. Ela não conhecia muita gente na costa oeste. "Não gosto de Los Angeles", disse-nos. "As pessoas são horríveis e tremendamente fúteis, e todas querem ser famosas mas ninguém está disposto a fazer o que é preciso. Eu sou de Nova Iorque. Estou a disposta a matar para obter o que quero."

Antes do encontro, parti do princípio de que alguém com um nome artístico como "Lady" (o seu nome verdadeiro é Stefani Joanne Germanotta) seria algo retraído - em todo o caso, essa é a estratégia adoptada por muitos jovens músicos quando dão a sua primeira entrevista a sério. Mas nunca pensei que ela fosse realmente encarnar Lady Gaga.

Por estes dias, contam-se pelos dedos os artistas que confundem os media como Bob Dylan, ou que nunca saem da personagem que criaram para o mundo, como Mark Mothersbaugh, dos Devo, fez no início da sua carreira. Nos dias de hoje, com documentários sobre a vida privada das estrelas na televisão, uma cultura de tablóide e reality shows, os músicos têm noção de que se devem mostrar aos jornalistas com o máximo de detalhe mundano que conseguirem. "Mas Lady Gaga é o meu nome", disse ela, espantada por eu poder imaginar outra coisa. "Se me conhecer, e me chamar Stefani, é porque não me conhece de todo."

Gaga instalou-se confortavelmente num sofá de pele castanha com a graciosidade possível dada a roupa que trazia vestida, um fato-macaco branco e hirto com enormes chumaços que subiam até às orelhas. Com 1,57m de altura e 45 quilos, e o cabelo loiro com um corte à tigela anos 60, parecia saída de uma rigorosa dieta de fome. "As estrelas pop não deviam comer", proclamou. Era jovem, magra e loira, mas tinha um proeminente nariz italiano, o tipo de nariz que raramente sobrevive numa starlet. (Isto aconteceu durante a fase em que Gaga compunha o cabelo num laço - ou seja, antes da fase do chapéu de cabelo e do telefone de cabelo - e quando lhe perguntei o que era feito do laço, ela pousou a cabeça sobre as mãos como se fossem uma almofada e disse: "Está a dormir.") Na ala junto à sua mesa, famílias de turistas tiravam fotografias umas às outras, inconscientes da presença dela, e ela retraía-se dramaticamente a cada flash. "Oh, câmaras", disse, protegendo os olhos. "Não suporto as câmaras."

Quando começámos a conversa, Gaga falou cuidadosamente num sotaque bizarro - numa mistura entre Madonna na sua fase britânica e um robot, uma afectação agravada pelo facto de se recusar a remover os óculos escuros ao longo das duas horas. "O que eu descobri", disse a robótica Gaga, posicionando o rosto como se lhe fossem tirar uma fotografia, "é que na arte, como na música, há a verdade e há a mentira. O artista cria essencialmente o seu trabalho para fazer dessa mentira uma verdade. A pequena mentira é o que eu procuro, é onde me quero situar. É o momento em que o público se apaixona."

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Comentário + votado

madonna vs Gaga?

nao komparam 10 com 10000000: Gaga y Madonna?...esta moça nao tem nad a ver c o conceito ...

Billie Jean

19.04.2010 17:37

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