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“Um bom disco, nada mais”, confessa José Duarte

“Kind Of Blue” de Miles Davis cumpre meio século

17.08.2009 - 13:56

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Em "Kind Of Blue", Miles Davis rodeou-se de músicos como Bill Evans ou John Coltrane Em "Kind Of Blue", Miles Davis rodeou-se de músicos como Bill Evans ou John Coltrane (DR)
Vendeu 6 milhões de cópias desde que foi lançado, há precisamente 50 anos. Com Miles Davis (1926-1991) no trompete, Bill Evans no piano e John Coltrane no saxofone tenor, "Kind Of Blue" - com apenas cinco músicas - viria a tornar-se numa das obras maiores da história do jazz.

As gravações começaram a 2 de Março desse ano, no estúdio Columbia em Nova Iorque. A 17 de Agosto, era lançado um dos discos mais aclamados de todos os tempos, “Kind Of Blue”. Com apenas cinco músicas mas mais de 46 minutos de duração, o álbum é considerado uma viragem na história deste género musical. Rompeu com o “bebop”, corrente do jazz muito em voga desde meados dos anos 40, que privilegia os pequenos conjuntos, como trios ou quartetos, compostos por artistas de grande virtuosismo.

Em “Kind Of Blue”, havia apenas um pressuposto básico para a reprodução musical: tocar numa só escala. Antes de entrarem em estúdio, esta foi a única indicação dada por Miles Davis aos restantes músicos - Paul Chambers (baixo), Jimmy Cobb (bateria), Bill Evans (piano, excepto em Freddie Freeloader - Wynton Kelly), Cannonball Adderley (saxofone alto) e John Coltrane (saxofone tenor).
O lado A do álbum ficou gravado em apenas três horas, contendo três músicas: “So What”, “Freddie Freeloader” e “Blue In Green”. Sete semanas depois, o sexteto reunia-se novamente para completar o álbum, com “Flamenco Sketches” e “All Blues”. O disco, que em 2003 foi considerado pela revista “Rolling Stone” o 12º melhor álbum de todos os tempos (entre 500), foi oficialmente lançado no dia 17 de Agosto de 1959. É, para além disso, o disco de jazz mais vendido de sempre. Para o pianista Chick Corea, citado pelo diário espanhol "El Mundo", tratou-se da “porta de entrada para uma nova linguagem musical”, opinião partilhada pelo compositor e produtor Quincy Jones para quem, segundo o mesmo jornal, “Kind Of Blue” é o “sumo de laranja diário”.

“Um bom disco, nada mais”
José Duarte, membro da “Federação Internacional de Jazz” de 1975 a 1984, afirma que “Kind Of Blue” “é um bom disco, nada mais". "E agora está na moda, não só em Portugal como em todo o mundo", nota. Se quisesse levar o jazz a um local onde nunca tivesse sido ouvido, diz-nos, esta seria “uma escolha secundária". "Há peças muito mais importantes nos anos 20, 30, 40. Louis Armstrong, por exemplo, seria uma escolha muito mais acertada.”

Por outro lado, questionado se alguma vez incluiria um excerto do álbum no seu já conhecido programa “5 minutos de jazz”, a resposta foi clara. “É impossível incluir qualquer faixa do “Kind Of Blue”. Todas têm mais de cinco minutos, e isso seria calar o artista. Alguém que se está a exprimir não deve ser calado”.

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Dans l'esprit de la vallée.

Je suis triste et heureux comme une ombre fugitive dans l'aube de mes rêves, et pour moi ce ...

Francesco Sinibaldi

17.08.2009 17:51

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