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Debate na Biblioteca Municipal de Oeiras

José Saramago afirma que voluntarismo no estímulo à leitura é "inútil"

01.06.2006 - 11:17 Por Lusa, PUBLICO.PT

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José Saramago José Saramago (Kent Gilbert/AP)
O prémio Nobel da Literatura José Saramago questionou ontem a utilidade de o Estado dar "estímulos" à leitura, afirmando que "voluntarismos" não valem a pena numa área que "sempre foi e será coisa de uma minoria".

Num debate na Biblioteca Municipal de Oeiras, Saramago afirmou não saber "o que vai ser" o Plano Nacional de Leitura arquitectado pelo Governo, referindo apenas que "há dinheiro para gastar", mas resta "esperar para ver que resultados vai ter".

"Não vale a pena o voluntarismo, é inútil, ler sempre foi e sempre será coisa de uma minoria. Não vamos exigir a todo o mundo a paixão pela leitura", afirmou, caracterizando o facto de pertencer à comissão de honra do plano como "uma fatalidade, como as bexigas", decorrente do seu estatuto como vencedor do prémio Nobel.

"O estímulo à leitura é uma coisa estranha, não deveria ter que haver outro estímulo além da necessidade de um instrumento que permita conhecer", afirmou.

"Mal vão as coisas quando é preciso estimular", defendeu, contrapondo que "ninguém precisa de estímulos para se entusiasmar com o futebol", que tem por trás uma "operação de propaganda fabulosa".

O escritor afirmou que actualmente se vive "uma situação confusa", em que se confunde a "instrução", ligada ao conhecimento, com a "educação", ligada aos valores. "Onde está a educação na escola em que os professores são agredidos, humilhados, desprezados", questionou, argumentando que os docentes "são os heróis do nosso tempo".

Saramago ressalvou que há "professores incompetentes", que trabalham "sem vocação", e que hábitos como "ler em voz alta" nas aulas deveriam ser encorajados.

O Nobel da literatura criticou os argumentos segundo os quais a correcção na ortografia não é importante, lembrando que "qualquer operário sabe que tem que ter as suas ferramentas limpas e em condições de serem usadas" e que "a língua é a ferramenta por excelência".

Questionado pela audiência de cerca de duzentas pessoas sobre aspectos do mundo e da sua obra, o escritor lamentou ainda a situação de instabilidade que se vive em Timor-Leste, um contraste com "a alegria" dos portugueses com a conquista do direito à auto- determinação dos timorenses.

"Não há ninguém que tenha a lucidez suficiente de dizer que isto assim não pode ser", apontou José Saramago, lamentando ainda que "quem manda no mundo não seja o Blair nem o Bush, mas uma plutocracia" em que "os órgãos democráticos são governados por poderes não democráticos", nomeadamente "o poder do dinheiro".

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Comentário + votado

Em jeito de Resposta.

Em jeito de resposta a um comentador que confundiu politica com algo mais profundo, que é o livre ...

Miguel Caixinha

01.06.2006 23:31

X

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