Jorge Silva Melo: "Bergman compreendeu o cinema como uma companhia de teatro"

30.07.2007 - 11:35 Por Ana Machado
O encenador, actor e realizador Jorge Silva Melo, fundador do grupo de teatro Artistas Unidos, considera que Ingmar Bergman "foi dos mais extraordinários realizadores" e "um homem que compreendeu o cinema como uma companhia de teatro".
"É absolutamente único", elogia Jorge Silva Melo. "E todos os que o tentaram imitar não se saíram bem", disse o encenador, em declarações ao PUBLICO.PT, referindo como exemplo Woody Allen.
Entre os traços únicos da sua realização, Silva Melo destaca o modo como — muito à semelhança de um encenador de teatro — "oscilava entre a tragédia e a comédia e com uma grande variação de personagens".
Para Silva Melo, o que mais se destaca na obra de Bergman são "os siderantes retratos de mulher", dos quais refere o de "Mónica e o Desejo" (1952). "São mulheres com desejo, modernas e angustiadas, uma marca de que me lembro logo quando falo de Bergman", confessa o encenador.
A morte de Ingmar Bergman foi hoje anunciada pela sua filha, Eva Bergman. O dia e a hora das cerimónias fúnebres não são ainda conhecidos, mas a família já mostrou vontade de que seja uma cerimónia apenas para as pessoas mais chegadas.

