O crítico de arte João Pinharanda manifestou hoje uma "tristeza sentida" pela morte do poeta e pintor Mário Cesariny, classificando-o como uma "personagem fundamental" da pintura portuguesa.
O crítico de arte, que conheceu Mário Cesariny nos anos de 1980, afirmou que só se aproximou da figura humana a partir de 2002, quando começou a frequentar a sua casa, pois "anteriormente ele era só uma imagem literária e artística".
João Pinharanda fez parte do júri que atribuiu a Cesariny o Grande Prémio EDP de Artes Plásticas 2002 e foi responsável pela organização, em 2004, de uma exposição retrospectiva de obras do artista desde os anos de 1940.
João Pinharanda afirmou ainda que a mostra de obras de Mário Cesariny, que esteve patente até 19 de Novembro no Círculo de Belas Artes, em Madrid, marcou uma "presença muito forte localmente".
Considerando-o “um grande artista plástico”, João Pinharanda lamentou que Mário Cesariny fosse muito mais reconhecido enquanto poeta, mas afirmou que o próprio artista "não dava à sua actividade plástica a importância que dava à poesia".
"Qualquer poesia sua tinha uma grande repercussão crítica, mas se fazia um desenho no café, ficava para sempre desconhecido", afirmou.
Mário Cesariny de Vasconcelos, que sofria há vários anos de cancro, morreu na última madrugada, em sua casa, em Lisboa, aos 83 anos.
O corpo do pintor e poeta vai ficar em câmara ardente na Igreja de Santo Condestável, em Campo de Ourique, e o funeral realiza-se segunda-feira, pelas 14h00.


