João Mota, encenador e fundador do Teatro A Comuna, foi convidado nesta quinta-feira de manhã para dirigir o Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII) e deverá reunir-se sexta-feira com o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas.
O convite para que substitua Diogo Infante foi confirmado ao PÚBLICO telefonicamente pelo próprio João Mota, 69 anos. “É uma decisão difícil”, acrescentou. “Tenho uma relação muito boa com o Diogo, de grande afectividade. (…) Além disso acho que ele foi um bom director para o D. Maria.”
A substituição do ainda director artístico do teatro, Diogo Infante, foi anunciada quarta-feira, depois de o teatro nacional ter enviado para jornais, rádios e televisões um comunicado em que anunciava a suspensão da programação para 2012, caso o secretário de Estado não encontrasse uma solução para aumentar o orçamento do teatro para o próximo ano.
Diogo Infante, que foi nomeado em 2008 e que se encontrava em funções interinamente (o seu contrato terminou em Setembro), garantiu no referido comunicado que, com o corte orçamental previsto para 2012 – menos 36%, contando com as reduções acumuladas dos dois últimos anos, 2010 e 2011 – não teria condições para assegurar a programação do próximo ano, divulgada no Verão.
O que acontecerá a Cyrano?
O encenador João Mota, que trabalhou com Infante em “Hamlet” e que se preparava para encenar um “Cyrano de Bergerac” em que Infante seria o protagonista, para estrear em Setembro do próximo ano no TNDMII, garante que “[aceitar ou não o cargo de director artístico do Nacional] não é decisão que se tome de um dia para o outro, é preciso avaliar bem a situação do teatro, o seu financiamento, que projecto há para aquele espaço”.
Mota salienta ainda que foi Diogo Infante que o convidou para encenar o referido “Hamlet” (2007) no Teatro Municipal Maria Matos, pelo qual o ainda director do D. Maria II recebeu o prémio de interpretação do Instituto Bernardo Santareno.
Depois de trabalharem juntos nesta tragédia de Shakespeare com que Mota celebrou 50 anos de carreira e 35 de teatro A Comuna, os dois actores e encenadores voltaram a encontrar-se já no TNDMII, quando Infante repetiu o convite. Desta vez, João Mota levou ao palco “O Camareiro”, de Ronald Hardwood, com Ruy de Carvalho e Virgílio Castelo nos principais papéis.
Contactado pelo PÚBLICO, o adjunto para a Comunicação da secretaria de Estado, João Villalobos, adiou qualquer comentário sobre o convite a João Mota para a próxima semana.
Notícia actualizada às 18h15



