João Mário Grilo: "Câmara de Bergman exprime relação sensualista entre as personagens e o mundo"

30.07.2007 - 11:58 Por Ana Machado
"Ingmar Bergman olhou pela primeira vez para o cinema como um modo de exprimir aquilo que até ao cinema a arte não era capaz de exprimir". É desta forma que o realizador João Mário Grilo descreve a dimensão da obra do realizador sueco, falecido aos 89 anos.
Segundo Mário Grilo, Bergman é responsável por "uma relação sensualista entre as personagens e o mundo", por desnudar aquilo que "as pessoas no dia-a-dia escondem". "A humanidade, a partir da segunda metade do século XX, é devedora desta descoberta das relações humanas", considera, em declarações ao PUBLICO.PT.
Para João Mário Grilo a arte, em geral, ainda está hoje a descobrir aquilo que a obra de Bergman desvendou através do cinema: "Acho que ainda não se está a digerir o efeito que o cinema trouxe para dentro de outras artes. Bergman conseguiu isolar esse quê do cinema melhor que outros. A sua resposta é seguramente a melhor e a última", disse o realizador sobre o modo único encontrado por Bergman de fundir a forma e o conteúdo.

